Pretos Velhos são celebrados no Marco Zero em ato pela paz entre as religiões - Unicap
Título Notícias
Notícias

Pretos Velhos são celebrados no Marco Zero em ato pela paz entre as religiões
O Marco Zero do Recife virou terreiro aberto, espaço de oração e ponto de encontro entre diferentes formas de fé na tarde do último sábado, 9 de maio. Vestidos em sua maioria de branco, praticantes da Umbanda, estudantes, lideranças religiosas, representantes de outras tradições espirituais e apoiadores da cultura de paz se reuniram na Celebração do Mês dos Pretos Velhos, que chegou ao segundo ano levando ao coração da cidade uma mensagem de respeito, convivência e liberdade religiosa.
Organizado pela Casa de São Lázaro, o encontro teve como eixo central a valorização dos Pretos Velhos, entidades cultuadas na Umbanda como referências de sabedoria, humildade, escuta, paciência e cuidado espiritual. Mais do que uma celebração interna da tradição umbandista, o ato também foi uma afirmação pública do direito das religiões afro-brasileiras ocuparem os espaços da cidade, especialmente em um contexto ainda marcado por episódios de intolerância e racismo religioso.
A programação começou com uma grande roda de oração conduzida por Mãe Adriana Bezerra, dirigente espiritual da Casa de São Lázaro e presidenta do Fórum Nacional de Umbanda. No meio do Marco Zero, um dos lugares mais simbólicos do Recife, os participantes formaram um círculo de fé, acolhimento e diálogo. Representantes de outras tradições religiosas também participaram do momento, reforçando a proposta do encontro de construir pontes entre diferentes crenças.
Também estiveram presentes Edmario Jobat, do movimento Paznambuco, e Luca Pacheco, coordenador da Licenciatura em Ciências da Religião da Unicap e vice-coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Católica de Pernambuco.
Para Luca Pacheco, a celebração mostrou a força das tradições afro-brasileiras como espaços de memória, espiritualidade e produção de práticas de paz.
“A presença das religiões no espaço público, quando comprometida com o respeito, a dignidade humana e a cultura da paz, contribui para fortalecer uma sociedade plural e democrática. Os Pretos Velhos simbolizam uma ética do cuidado, da escuta e da sabedoria ancestral extremamente necessária para o nosso tempo”, afirmou Luca Pacheco.
Segundo ele, o momento atual exige gestos públicos de diálogo e convivência. “Vivemos um momento em que os fundamentalismos tentam transformar diferenças em conflitos. Estar nas ruas celebrando a paz entre as religiões é afirmar que a espiritualidade também pode ser ponte, cuidado coletivo e compromisso com a vida”, completou.
Depois da oração inicial, o grupo seguiu em caminhada pelas ruas do Recife Antigo. Durante o percurso, os participantes entoaram cantos de paz e espiritualidade, enquanto distribuíam ramos de arruda e flores às pessoas que passavam pelo local. O gesto, simples e simbólico, levou bênção, proteção e acolhimento espiritual a turistas, comerciantes e transeuntes que acompanhavam a movimentação pelas ruas históricas da cidade.
A caminhada chamou atenção de quem circulava pelo bairro. Alguns paravam para observar, outros registravam em fotos e vídeos, e muitos se aproximavam para receber as flores e os ramos de arruda. O cortejo religioso-cultural acabou criando uma cena de encontro entre fé, cidade e cotidiano, aproximando a tradição umbandista de pessoas que, muitas vezes, só conhecem essas manifestações à distância ou por meio de preconceitos.
O encerramento aconteceu novamente no Marco Zero, com uma segunda roda de oração dedicada aos Pretos Velhos. O momento foi marcado por agradecimentos à sabedoria, à bondade e à experiência dos ancestrais espirituais que, segundo a tradição umbandista, acolhem, aconselham e amparam aqueles que buscam orientação.
Ao final da celebração, um arco-íris surgiu no céu sobre o Recife Antigo e emocionou os participantes. Para muitos dos presentes, a imagem foi recebida como um sinal de aliança com o sagrado e como uma síntese visual da mensagem do encontro. Em uma cidade marcada pela força de suas tradições religiosas, culturais e populares, a Celebração dos Pretos Velhos deixou no Marco Zero um recado claro: a fé pode ocupar as ruas sem impor medo, pode afirmar sua identidade sem negar a do outro e pode transformar a diferença em caminho de paz.
Barra de busca
Aplicações Aninhadas
Expediente - Coluna 1
EXPEDIENTE
EDIÇÃO:
Paula Losada (1.652 DRT/PE)
Daniel França (3.120 DRT/PE)
Elano Lorenzato (2.781 DRT/PE)
Sílvio Araújo (4.012 DRT/PE)
Expediente - Coluna 2
REPÓRTER CINEMATOGRÁFICO:
Alex Costa (5.182 -DRT/PE)
DESIGNER:
Java Araújo
WEB DESIGNER:
Elano Lorenzato (2.781 DRT/PE)
Expediente - Coluna 3
CONTATO:
Rua do Príncipe, 526,
Bloco R, sala 117,
Boa Vista, Recife-PE.
Cep: 50050-900.
Telefone: (81) 2119.4010.
E-mail: assecom@unicap.br
Título Notícias Acontece na Unicap
Acontece na Unicap
Publicador de Conteúdos e Mídias
Dom Joel alerta para novos desafios da fé nas cidades em congresso na Unicap
Na abertura do II Congresso Teológico de Pastoral Urbana, realizado na manhã desta terça-feira na Universidade Católica de Pernambuco, o bispo de Petrópolis,...
Na abertura do II Congresso Teológico de Pastoral Urbana, realizado na manhã desta terça-feira na Universidade...
Reitor da Unicap defende Teologia comprometida com os desafios das cidades contemporâneas
O Reitor da Universidade Católica de Pernambuco, Padre Carlos Fritzen, defendeu, na abertura do II Congresso Teológico de Pastoral Urbana realizada na manhã...
O Reitor da Universidade Católica de Pernambuco, Padre Carlos Fritzen, defendeu, na abertura do II Congresso...
Unicap sedia II Congresso Teológico de Pastoral Urbana que debate desafios da fé nas cidades
A complexidade da realidade urbana contemporânea e os desafios que ela impõe à reflexão teológica, ao diálogo entre fé, cultura e sociedade estão no centro...
A complexidade da realidade urbana contemporânea e os desafios que ela impõe à reflexão teológica, ao diálogo entre...
Cartas de Américo Vespúcio
O livro Cartas de Américo Vespúcio: Descobridor e Escravizador de Indígenas em um Novo Mundo propõe uma leitura crítica das...
O livro Cartas de Américo Vespúcio: Descobridor e Escravizador de Indígenas em um Novo...





