Quando o corpo é território e a casa é direito: vozes de mulheres - 24 semana da mulher na unicap - Unicap

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Quando o corpo é território e a casa é direito: vozes de mulheres - 24 semana da mulher na unicap

Publicado Por: José Maria

A Semana da Mulher na UNICAP, implantada desde o ano de 2003, consolida-se como espaço de reflexão e luta pela igualdade material de gênero, por meio do diálogo crítico, ético e responsável com as diversas comunidades.

A iniciativa revela a preocupação e o compromisso da Universidade com as demandas da sociedade e com a formação de profissionais que atuem como verdadeiros agentes transformadores no combate às inúmeras violências estruturais de gênero.

Perpassa as diversas temáticas trabalhadas ao longo dos anos a preocupação com a dignidade de pessoas vulnerabilizadas, em seus corpos e na economia de suas sustentabilidades, bem como a busca por um ambiente justo ao seu desenvolvimento pessoal e social. Violência, direitos humanos, exploração sexual, desigualdade econômica, participação política e justiça social integraram fortemente a discussão em todos os encontros.

Desde a tragédia humanitária da pandemia de Covid-19, o mundo recuou em diversos aspectos das conquistas alcançadas em prol da igualdade de gênero. A crise sanitária reverteu progressos de décadas, exacerbando desigualdades pré-existentes e aumentando as disparidades sociais, econômicas e familiares entre homens e mulheres.

O Relatório Global de Desigualdade de Gênero 2025, do Fórum Econômico Mundial (FEM), aponta que a paridade global atingiu 68,8%, um ritmo lento que projeta a igualdade plena apenas para daqui a mais de 100 anos. Embora haja melhorias, a paridade econômica (61%) e o empoderamento político (22,9%) continuam apresentando as maiores lacunas.

Abrir a 24ª Semana da Mulher não é apenas inaugurar mais um evento acadêmico, mas abrir uma memória, um compromisso, uma escuta e, sobretudo, um território de reflexão, denúncia e esperança.

Em todo o mundo, o corpo das mulheres continua sendo um espaço de controle, violência e desigualdade.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou mais de 1.518 feminicídios no ano de 2025, o que representa um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Das mortes, 59,4% foram causadas por companheiros e 21,3% por ex-companheiros das vítimas. A residência da vítima foi o local do crime em 66,3% das ocorrências.

Ou seja, o lugar mais desprotegido para muitas mulheres tem sido a sua própria casa, onde lhes é retirado o direito de sobreviver ou viver dignamente.
Para além desses dados, o ódio é multiplicado pelo racismo, já que 62,5% das vítimas são mulheres negras e jovens.

A Universidade Católica, voltada aos problemas e ao atendimento da região, está atenta também aos dados de nosso Estado. Segundo a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, no ano de 2024, 76 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado. Em 2025, esse número chegou a 88 feminicídios, representando um aumento de 15,7% em relação ao ano anterior.

São inúmeras as vicissitudes que impulsionam essa triste realidade. Dentre elas, o contexto político de polarização ideológica, os discursos de ódio, a pobreza social e o mau uso da tecnologia, são alguns dos fatores que têm sido responsáveis pela potencialização da desigualdade estrutural que emerge do patriarcado.
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco revela outra realidade assustadora e paradoxal em relação a estudos realizados em outros países sobre a paternidade. Enquanto, nos Estados Unidos e na Noruega, o surgimento de um filho diminui a criminalidade nos delitos cometidos por pais, no Brasil a fração de homens processados criminalmente é 18% maior nos dois anos seguintes ao nascimento do primeiro filho.

A conclusão é proveniente da análise de dados coletados em processos criminais em primeira instância entre os anos de 2009 e 2020, bem como do Cadastro Único.

A pesquisa considera vários crimes, e não apenas os crimes contra as mulheres, mas aproxima-se de casos estarrecedores de pais que estão dispostos a matar os seus próprios filhos com o intuito único e exclusivo de punir suas ex-companheiras, apenas por elas não desejarem mais o relacionamento.

A postura brasileira para combater essa realidade vem se concentrando na criminalização, com o aumento de punições e a criação de novos tipos penais. Os resultados são infrutíferos, porque o caminho — embora mais longo — será sempre a educação ou reeducação sobre os papéis de gênero na sociedade.

Esse duro combate somente será eficaz se exercido pela família e pela escola, com a fiel aplicação dos fundamentos da República, no ideal de uma sociedade justa e solidária.

É urgente e imperioso que haja proteção de crianças e adolescentes, futuros cidadãos, que se encontram expostos às velozes influências digitais de uma sociedade adoecida. Manosferas e movimentos red pill têm influenciado jovens adolescentes a odiarem mulheres, incutindo-lhes a falsa ideia de que o feminismo é nocivo, que oprime homens e gera privilégios para as mulheres.

A colonização digital de valores tão nocivos resulta na potencialização da violência de gênero, ao repercutir em alta velocidade e de forma massiva na sociedade, rejuvenescendo a misoginia e comprovando que a tecnologia não pode ser considerada neutra.

Há, portanto, uma ligação direta entre déficit educacional, influência digital e violência de gênero.

Mas, ao fim e ao cabo, a desigualdade social que se vive — entre a fome e a grande concentração de riquezas — é uma das principais responsáveis por esse cenário drástico de violência, porque não permite o acesso à educação para todos, escravizando a humanidade em pseudo-concepções de superioridade e inferioridade em razão da cor, do gênero, da orientação sexual e da crença.

Presos a esse sistema, reproduzimos modelos de dominação e de medo e comprometemos a própria libertação da humanidade.


Profa. Dra. Maria Rita de Holanda, professora do Curso de Direito da Unicap

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