Mesa temática “Filosofia e Gênero” traz reflexões sobre transgeneridade, feminismo e colonialidade - Unicap
Título Notícias
Notícias

Mesa temática “Filosofia e Gênero” traz reflexões sobre transgeneridade, feminismo e colonialidade
Na noite desta quarta-feira (2), o auditório G2 da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) recebeu a mesa temática "Filosofia e Gênero" como parte da programação do XX Congresso Nacional da Associação de Pós-graduação em Filosofia (Anpof). O encontro reuniu intelectuais renomadas para discutir temas como transgeneridade, feminismo lésbico e decolonial, além das implicações da colonialidade de gênero desde a infância. As falas intensas e profundamente reflexivas trouxeram uma perspectiva crítica e renovada sobre a interseccionalidade e o papel da filosofia na compreensão dessas questões.
A pesquisadora Sara York, mestra em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e especialista em Gênero e Sexualidades, abordou a importância de trazer a perspectiva trans para o campo da filosofia. Com sua sólida formação em Letras e Pedagogia, Sara apresentou uma abordagem reflexiva sobre o que a transgeneridade pode ensinar à filosofia contemporânea e à sociedade em geral.
Segundo Sara, pensar a vida sob uma perspectiva trans é um caminho essencial para ampliar a compreensão da humanidade e dos sujeitos historicamente marginalizados. "Por que pensar a vida a partir de uma perspectiva trans pode ser interessante para todo mundo? O que é que a gente não aprendeu no passado, que a gente precisa aprender hoje para poder seguir enquanto gente, enquanto humanidade?", questionou. Para Sara, a filosofia é, acima de tudo, a disparadora de perguntas para a vida, e deve ser usada como uma ferramenta para inquirir e desestabilizar preconceitos enraizados. "Na hora que a gente junta todo mundo, acho que dá um bom caldo", completou, defendendo uma filosofia que inclua e valorize as diversas identidades.
A professora Juliana Ággio, doutora em Filosofia Antiga pela Universidade de São Paulo (USP) e professora adjunta da Universidade Federal da Bahia (UFBA), trouxe para o debate uma revisão crítica das teorias feministas hegemônicas a partir do viés da heterossexualidade e da colonialidade. Em sua fala, Juliana destacou o feminismo lésbico como uma crítica às exclusões perpetradas pelo feminismo tradicional, que, segundo ela, inflou a importância da heterossexualidade na determinação das relações de gênero.
Baseando-se nos trabalhos de Monique Wittig e Judith Butler, Juliana propôs uma teoria feminista que reconheça a intersecção entre gênero, sexualidade, raça e classe, além da exploração capitalista que sustenta essas opressões. "O cerne da opressão de gênero é a captura dos corpos, vidas e trabalho das mulheres em benefício dos homens e, consequentemente, do sistema capitalista", afirmou Juliana. Ela enfatizou a necessidade de resistências articuladas por coalizões, ressaltando que o binarismo de gênero foi construído para legitimar essas formas de exploração.
Letícia Carolina Nascimento, professora da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e autora do livro Transfeminismo, trouxe uma abordagem inovadora sobre as “parafernálias de gênero” na infância. Letícia, que é ativista e uma das primeiras professoras trans de uma universidade pública no Piauí, problematizou a naturalização das identidades de gênero e expôs como esses processos são, na verdade, violências impostas pela colonialidade.
"Minha fala vai no sentido de primeiro constatar como esses processos de construção de gênero acontecem desde a infância, muitas vezes criando traumas e uma concepção equivocada de amor. Precisamos desnaturalizar a ideia de que se nasce menino ou menina", explicou Letícia. Ela abordou a colonialidade de gênero como uma estrutura de poder que interliga machismo, patriarcado e capitalismo, gerando opressões desde as primeiras fases da vida. Seus estudos atuais, focados em amor e infância, foram articulados com essa crítica à colonialidade de gênero e suas repercussões na vida das crianças.
Com temas tão diversos e complexos, a mesa temática reforçou o papel da filosofia como uma ferramenta crítica para desestabilizar preconceitos e abrir caminhos para novas formas de ser e de estar no mundo.
Barra de busca
Aplicações Aninhadas
Expediente - Coluna 1
EXPEDIENTE
EDIÇÃO:
Paula Losada (1.652 DRT/PE)
Daniel França (3.120 DRT/PE)
Elano Lorenzato (2.781 DRT/PE)
Sílvio Araújo (4.012 DRT/PE)
Expediente - Coluna 2
REPÓRTER CINEMATOGRÁFICO:
Alex Costa (5.182 -DRT/PE)
DESIGNER:
Java Araújo
WEB DESIGNER:
Elano Lorenzato (2.781 DRT/PE)
Expediente - Coluna 3
CONTATO:
Rua do Príncipe, 526,
Bloco R, sala 117,
Boa Vista, Recife-PE.
Cep: 50050-900.
Telefone: (81) 2119.4010.
E-mail: assecom@unicap.br
Título Notícias Acontece na Unicap
Acontece na Unicap
Publicador de Conteúdos e Mídias
Artigo da Religare destaca Gilbraz Aragão
Artigo publicado na Religare destaca contribuição de Gilbraz Aragão para o diálogo inter-religioso e para as pesquisas em Ciências da Religião A produção...
Artigo publicado na Religare destaca contribuição de Gilbraz Aragão para o diálogo inter-religioso e para as...
UNICAP debate escola como território de luta antirracista
Mais de 20 anos depois da criação da Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas, o Brasil ainda...
Mais de 20 anos depois da criação da Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura...
Prazo para aditamento de renovação do financiamento FIES 1º/2026 encerra-se dia 31/05
O Departamento de Ação Social - DAS, informa: Prezad(o)a Informamos que o Aditamento de Renovação FIES, referente ao semestre 2026.1, encontra-se liberado...
O Departamento de Ação Social - DAS, informa: Prezad(o)a Informamos que o Aditamento de Renovação FIES, referente...
Doutorando do PPGCR Unicap conduz GT sobre laicidade na escola pública em seminário
A laicidade na escola pública, tema cada vez mais urgente em um país marcado pela diversidade religiosa, cultural e social, será um dos destaques do IX...
A laicidade na escola pública, tema cada vez mais urgente em um país marcado pela diversidade religiosa, cultural e...





