Abertura da VII Conferência sobre Cristianismo Mundial destaca diálogo, diversidade religiosa e cooperação acadêmica - Unicap

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Abertura da VII Conferência sobre Cristianismo Mundial destaca diálogo, diversidade religiosa e cooperação acadêmica

Publicado Por: Daniel França

A Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) sediou, no início da tarde desta segunda-feira (9), a abertura da VII Conferência sobre Cristianismo Mundial (World Christianity Conference), evento internacional realizado pela primeira vez na América Latina. Promovida em parceria entre a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), o Seminário Teológico de Princeton (EUA), a Unicap e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a conferência reúne pesquisadores das áreas de ciências da religião, teologia e ciências sociais para discutir o tema “Construção de Fronteiras, Entrelaçamentos Locais e Convivialidade no Cristianismo Mundial”.

A programação segue esta sexta-feira (13), com atividades no campus da Unicap até o quarta (11) e, posteriormente, no campus Gilberto Freyre da Fundaj, em Casa Forte. A sétima edição do encontro busca refletir sobre dinâmicas de construção de fronteiras religiosas, ecumenismo, zonas de contato, poder e justiça social, considerando dimensões como gênero, orientação sexual, pobreza, identidade, etnicidade, raça, migração e meio ambiente.

Durante a abertura, o Reitor da Unicap, Padre Carlos Fritzen, destacou a importância de o evento promover o diálogo entre diferentes culturas, tradições e experiências religiosas. “É uma grande alegria, uma grande satisfação, é emocionante vê-los aqui”, afirmou ao saudar os participantes.

Fritzen ressaltou que a realização do encontro no Recife e na Unicap representa um marco para o debate acadêmico na região. “É a sétima conferência, é no Brasil, é no Recife. Então nos alegra também sermos os primeiros, uma universidade católica aqui no Recife a receber essa conferência”, disse.


Em sua fala, o Reitor também enfatizou o papel da Universidade como espaço de diálogo e produção de conhecimento. Segundo ele, mais do que sediar o evento, a instituição se compromete a contribuir com o avanço das reflexões propostas. “Não é só abrir as portas de uma universidade. Queremos continuar pesquisando, investigando e publicando, contribuindo com as reflexões que uma universidade tem como vocação.”

Para Fritzen, a diversidade de experiências religiosas e culturais presentes na conferência evidencia a necessidade de abertura ao diálogo. “O futuro da humanidade depende da nossa capacidade de nos colocarmos em diálogo com os diferentes e aprender deles. Não nos fecharmos em posições absolutamente fechadas, mas abrirmos-nos para aprender com o diferente”, afirmou. Ele acrescentou que esse processo fortalece a identidade da universidade e amplia sua missão institucional. “Ela só pode se enriquecer se se abrir ao diálogo com essa diversidade tão grande.”


A presidenta da Fundação Joaquim Nabuco, Márcia Ângela Aguiar, também ressaltou o simbolismo do Recife sediar a conferência internacional e destacou a colaboração entre as instituições envolvidas. “Fico muito feliz de ter a oportunidade de a Fundação Joaquim Nabuco sediar, em conjunto com uma Universidade Católica e a Universidade Federal de Pernambuco, essa conferência aqui no Recife, Pernambuco, Brasil”, afirmou.

Márcia Aguiar observou que o contexto social e cultural da região torna o encontro particularmente significativo. “Talvez em todo o mundo não tivesse um local tão apropriado para se realizar essa conferência, porque certamente todas as questões que vão ser debatidas têm algum tipo de relação ou representação aqui”, disse.

A presidenta da Fundaj enfatizou ainda que os debates sobre religião devem estar orientados por valores universais de convivência e respeito. “A perspectiva da religião que é acolhida por todos vocês nos direciona a valorizar cada vez mais a convivialidade no contexto universal”, destacou. Para ela, os princípios que orientam o evento — “a paz, a solidariedade, a convivência e o respeito à dignidade humana” — apontam para uma responsabilidade coletiva na construção de sociedades mais justas.


Também participaram da mesa de abertura representantes das instituições parceiras e da organização do evento. O professor Raimundo Barreto, do Seminário Teológico de Princeton, explicou que o campo de estudos do cristianismo mundial busca compreender as diversas expressões da fé cristã em diferentes contextos culturais e históricos, considerando suas interações com outras tradições religiosas e com as transformações do mundo contemporâneo.

Os professores Afe Adogame e Soojin Chung, também ligados ao Seminário de Princeton, destacaram a dimensão internacional da conferência e a diversidade de pesquisadores presentes, além da importância do diálogo acadêmico global sobre as transformações do cristianismo.


Representando a Fundaj e o comitê local de organização, o pesquisador Joanildo Buriti ressaltou que o debate sobre o cristianismo mundial não pode ser dissociado da pluralidade religiosa brasileira, marcada pela convivência entre diferentes tradições, incluindo religiões de matriz africana, espiritismo e religiões trazidas por imigrantes.

O presidente do Seminário Teológico de Princeton, Jonathan Walton,  enviou um vídeo no qual sublinhou que a conferência pretende fortalecer redes de cooperação acadêmica e ampliar as reflexões sobre o papel do cristianismo em um mundo marcado por transformações sociais, políticas e culturais.

Encerrando as saudações iniciais, o professor Alexandre Simão de Freitas, da UFPE, destacou a importância de repensar as relações entre religião, política e sociedade, defendendo que o campo acadêmico precisa considerar de forma mais profunda o impacto das tradições religiosas nas dinâmicas sociais contemporâneas.

Primeira aula expositiva aborda convivência e fronteiras religiosas na Europa

A primeira aula expositiva da VII Conferência sobre Cristianismo Mundial foi ministrada pela professora Andrea Bieler, da University of Basel (Suíça). Em sua apresentação, intitulada “Super-diverse Christian Communities in Europe and their Interreligious Contact Zones: Dynamics of Boundary Making and Belonging”, a pesquisadora discutiu as transformações vividas por comunidades cristãs em contextos marcados pela diversidade cultural e religiosa na Europa contemporânea.

Partindo de um projeto de pesquisa desenvolvido com comunidades cristãs em diferentes países europeus, Bieler analisou como esses grupos vivenciam novas formas de convivência e de contato inter-religioso em sociedades cada vez mais marcadas por fluxos migratórios e pluralidade cultural. Segundo a professora, compreender essas experiências exige observar as práticas cotidianas das pessoas e os espaços onde diferentes tradições religiosas se encontram.

Ao abordar as dinâmicas de construção de fronteiras e pertencimento, a pesquisadora destacou que os debates sobre identidade muitas vezes acabam produzindo divisões rígidas entre grupos sociais. Para refletir sobre alternativas a esse modelo, ela recorreu ao conceito de convivialidade, desenvolvido pelo sociólogo Paul Gilroy, que propõe pensar a convivência a partir das interações e das relações sociais do cotidiano, em vez de identidades fixas e exclusivas.

Nesse sentido, Bieler argumentou que a convivialidade permite compreender como pessoas de diferentes origens, culturas e religiões constroem, na prática, formas de coexistência em espaços compartilhados. Essas experiências, segundo ela, ajudam a revelar tanto tensões quanto possibilidades de cooperação e diálogo em contextos de diversidade.

A pesquisadora também alertou para os riscos do que chamou de “imaginações tóxicas”, associadas a discursos nacionalistas e fundamentalistas que reforçam fronteiras excludentes e alimentam conflitos religiosos e culturais. Diante desse cenário, defendeu que a pesquisa acadêmica pode contribuir para ampliar a compreensão das dinâmicas sociais e fortalecer práticas de convivência mais abertas e inclusivas.

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