Confira a íntegra do discurso do Reitor Prof. Dr. Pe. Carlos Fritzen - Unicap
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Confira a íntegra do discurso do Reitor Prof. Dr. Pe. Carlos Fritzen
Na última segunda-feira (02), o Prof. Dr. Pe. Carlos Fritzen tomou posse como novo Reitor da Unicap numa solenidade bastante prestigiada. Confira abaixo a íntegra do discurso oficial lido por ele na ocasião.
Discurso de Posse – Reitoria da Universidade Católica de Pernambuco
Orador: Prof. Dr. Pe. Carlos Fritzen, SJ
Data: 02 de fevereiro de 2026
Local: Recife, Pernambuco
Reverendíssimo Padre Provincial dos Jesuítas do Brasil, Pe. Mieczyslaw Smyda; Reverendíssimo Dom Paulo Jackson, arcebispo de Olinda e Recife; meu caro irmão e antecessor, Pe. Pedro Rubens, cujo legado de duas décadas honro neste dia; Estimado P. Sérgio, superior do Núcleo, Estimado Pe. Anderson Pedroso, Reitor da nossa irmã PUC-Rio e Presidente da ODUCAL; P. Sérgio Marcucci, Reitor da nossa irmã UNISINOS e Presidente do Conselho Superior da ANEC. P. Mário Sundermann, Presidente da ASAV. Colegas de Mesa Diretora (P. Delmar, Prof. Dr. Juliano Domingues, Prof. Dr. Alexandre Ramos e o Prof. MSc. Aragon Bergonci ). Demais autoridades civis e eclesiásticas, coordenadores de escola, coordenações de Cursos e de Programas, comunidade acadêmica, colaboradores, lideranças estudantis, estudantes, parceiros, os que nos acompanham pelo youtube desde vários países, senhoras e senhores.
Boa tarde!
Hoje é um dia de especial relevância para a vida religiosa consagrada, pois celebra a Apresentação do Senhor, ocasião em que Jesus é apresentado a Deus e acolhido pela comunidade de fé, no horizonte dos desígnios divinos da história da salvação. É também um dia de travessia e de entrega. Mais ainda, há consonância providencial na data de hoje. Dois de fevereiro. Dia em que as águas celebram a feminilidade sagrada, dia de Nossa Senhora dos Navegantes e dia de Iemanjá, Rainha do mar que banha este Recife maravilhoso. E é com o espírito de quem se entrega a uma nova navegação que assumo hoje, diante de vós e de Deus, a Reitoria da Universidade Católica de Pernambuco.
Venho de longe, mas não chego como um estranho. Nasci em Campina das Missões, no Rio Grande do Sul, onde a terra vermelha guarda a memória das antigas reduções jesuíticas — aquela "república cristã" que sonhou um mundo de justiça e fraternidade. Lá, aprendi que a cooperação e o trabalho comunitário são a resposta para a vida sustentável. Hoje, piso no solo sagrado dos Guararapes e do Capibaribe, terra de revoluções libertárias, onde a Companhia de Jesus também plantou raízes profundas, educando e resistindo. Há um fio invisível, mas de aço, que une o Vento Minuano com a Brisa do Mar deste querido Nordeste do Brasil. Ambos sopram sobre a história de povos que não se curvam ante os desafios. E foi aqui, que o gigante João Cabral de Melo Neto nos lembrou que a educação também se faz pela pedra, pela dureza do real, mas visando a construção de algo sólido.
Trago, também, na bagagem a experiência e aprendizados de quem caminhou com o Movimento de Educação Popular Fé e Alegria — uma experiência de inspiração freiriana — durante oito anos no Brasil e sete anos ao redor do mundo. Aprendi, nas periferias da América Latina, da África, da Ásia e na Europa, junto com imigrantes, que a educação deve começar "lá onde termina o asfalto". Que a educação transforma e habilita os seres humanos para a vida em todos os sentidos. E é esta visão que trago para a Unicap: uma Universidade que não se encastela, mas que se abre, se projeta para as margens, pois é às margens — como nos lembram o Papa Francisco e o nosso Padre Geral Arturo Sosa — que a fé e a razão encontram os maiores desafios da humanidade.
Antes de olhar para o futuro, preciso honrar o presente que encontrei. Duas décadas de reitoria do Pe. Pedro Rubens deixaram um legado imensurável. Sob sua liderança, a Unicap consolidou sua identidade como universidade de excelência acadêmica, expandiu sua oferta de cursos e programas de pós, fortaleceu sua presença na pesquisa e na extensão, e manteve, sob condições nem sempre fáceis, o compromisso com a missão educativa jesuíta. Este é um legado que não apenas reconheço, mas que pretendo honrar e, com a comunidade acadêmica e suas lideranças e parceiros, projetar.
A Universidade Católica de Pernambuco não é uma instituição qualquer. Fundada pela Companhia de Jesus, ela nasceu com a missão de educar não apenas a mente, mas a pessoa inteira — missão que a Companhia de Jesus cultiva e atualiza, desde as primeiras reduções até as universidades mais reconhecidas do mundo. Neste solo pernambucano, onde a história colonial, as culturas afro-brasileira e indígenas se entrelaçam, a Unicap foi chamada a ser não apenas uma instituição de educação superior, mas um espaço de formação humana integral, de serviço à sociedade e compromisso com a pluralidade e o diálogo. Essa é a identidade que nos precede e que nos orienta.
Vivemos, como bem nos alertou recentemente o Papa Leão XIV, não apenas uma época de mudanças, mas uma "mudança de época". Neste sentido, o ensino superior, uma universidade como a UNICAP, está desafiada a atender as demandas do nosso tempo e atualizar sua identidade e missão. Por isso, não podemos ser meros vendedores de títulos ou balcões de burocracia. Temos um papel no mundo; devemos ser, antes de tudo, uma "Testemunha de Esperança", como nos exortou o Padre Arturo Sosa no encontro da IAJU, em Bogotá, em 2025.
É nesse espírito que reafirmamos nossa vocação institucional: cultivar a excelência acadêmica sem abdicar do diálogo; promover a especialização sem perder a visão de conjunto; e formar profissionais competentes, mas sobretudo seres humanos comprometidos com a verdade, a justiça, o bem comum e a casa comum.
Aqui passo a um conjunto de desafios, um convite para a Comunidade UNICAP. É uma estrela-guia, com seis eixos estratégicos. São eixos que ainda precisaremos trabalhar desde os princípios inspiracionais, legislação educacional e diretrizes do MEC e dos desafios da excelência nos indicadores de qualidade e de inclusão.
O primeiro é o Humanismo. Nossa proposta pedagógica visa uma formação humanística, mas precisamos significar isso para o nosso tempo. Portanto, não falo de um humanismo estático, mas de um humanismo capaz de olhar nos olhos da "mudança de época" descrita pelo Papa Leão. É possível um humanismo que dialogue com a biotecnologia e a algoritmização da vida reafirmando a dignidade humana? por exemplo.
O segundo eixo é a Qualidade. Na tradição de Santo Inácio, a mediocridade não tem lugar. Mas entendamos bem: qualidade, para nós, não é vaidade acadêmica — que alimenta egos. É pertinência social, é impacto real. É uma formação integral que, como nos lembra a experiência da Fé e Alegria, permite ao sujeito não apenas adaptar-se ao mundo, mas transformá-lo. É o Magis: ser consciente, competente, comprometido; ser com e para os demais, na construção e preservação da casa comum.
Para sustentar isso, precisamos de gestão ágil — com novas tecnologias. Este é o nosso terceiro eixo. Não podemos colocar vinho novo em odres velhos. Precisamos de processos acadêmicos e administrativos ágeis, de uma gestão transparente e de uma sustentabilidade que garanta a missão comum da Universidade. Essa atualização, com inovação, é a ferramenta que nos permitirá tirar o peso da burocracia para dar leveza à criação.
No centro de tudo, o quarto eixo: as Pessoas. A universidade não é feita de pedra e cal ou projetos e atividades; é feita de pessoas em diálogo, um diálogo entre saberes a serviço da missão educativa. Isso implica o cuidado integral com cada estudante e suas necessidades de aprendizagem, com cada professor e professora, cada colaborador e colaboradora. Valorizar as pessoas é reconhecer em cada um e cada uma, nosso ativo maior.
O quinto eixo é a Abertura. Uma universidade "em saída", sinodal, como nos pede a Igreja hoje. A Unicap não pode ser uma ilha; ela deve ser elo e estar vinculada numa conexão com diferentes coletivos. Abertura para o diálogo inter-religioso, para a cultura, para o setor produtivo, setores socioambientais, órgãos públicos, sistemas de ensino, governo e, fundamentalmente, abertura para as "novas fronteiras" da exclusão, onde nossa presença é mais urgente.
E, para amalgamar tudo isso, o sexto eixo, algo mais interno: um Novo Estatuto. Somos uma Instituição Comunitária de Educação Superior. Para celebrar parcerias com os Ministérios da Educação e das Tecnologias e Inovação, no Ensino, Pesquisa e Extensão precisamos atualizar diversos temas institucionais. Porém, sempre a partir dos contextos e com a flexibilidade e criatividade possível — sem perder a essência, garantindo a governança e foco de uma Universidade.
Estes seis eixos — Humanismo, Qualidade, Modernização, Pessoas, Abertura e Novo Estatuto — não são apenas palavras em um plano; são as coordenadas da nossa esperança, que se fortalece ao reconhecer que somos com outros e outras. Juntos, somos mais! Ao longo desta jornada vamos aprofundar alguns destes pontos.
E nesse espírito de comunhão, destaco as parcerias e iniciativas que nos conectam a uma realidade muito maior. No âmbito mundial, participamos da IAJU. Na América Latina e no Caribe, estamos presentes pela ODUCAL. No Brasil jesuíta, nos conectamos pela AUSJAL, pela Rede Jesuíta de Universidades, pela Universitas-NE, pela ABRUC, pelo CRUB e por tantos outros fóruns e associações. Com eles e neles, buscamos diálogo e parceria com outras universidades, públicas e privadas, católicas e não católicas. Governos, movimentos sociais e estudantis, sindicatos e Associações. Cada rede não é ornamento; são a estrutura pela qual a missão se multiplica.
O nosso compromisso é com esse fortalecimento do trabalho em redes e parcerias. De imediato, identificamos duas frentes estratégicas: a interiorização — por meio da EaD, dos programas Dinter e Minter, e das parcerias que já temos com municípios e com o Estado de Pernambuco — e a internacionalização — no âmbito de projetos comuns com universidades estrangeiras. Queremos ser parceira dos órgãos públicos e dos arranjos produtivos locais e estaduais, aproximar o Sertão do Cais e o Recife do Mundo.
Não posso deixar de falar, neste momento, da dimensão da extensão e do serviço à comunidade — que é o coração da missão jesuíta na educação. A Unicap não vive apenas dentro de suas paredes; vive também no diálogo com os movimentos sociais, com as comunidades vulneráveis, o povo preto e indígenas, as periferias, com os territórios que carecem de presença educativa. Os programas de extensão que já existem nesta casa, e aqueles que vamos ampliar, são a forma concreta pela qual esta universidade cumpre sua vocação de estar "às margens", onde a fé e a razão têm urgência e desafios da humanidade. Isso não é atividade complementar; é parte central do que significa ser uma universidade católica e jesuíta. Junto com o Ensino e a Pesquisa, a Extensão delineia o perfil de egresso da UNICAP.
Que a nossa gestão em equipes seja leve como a poesia, mas firme como a justiça. Que saibamos, como pediu o Papa Leão, abraçar o que promover realmente a dignidade humana e rejeitar o que a diminui.
Permito-me encerrar evocando a sabedoria do mineiro Guimarães Rosa: "O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."
Tenhamos Coragem para renovar e inovar. Coragem para incluir. Coragem para ser, verdadeiramente, uma Universidade Católica e Pernambucana, com alma universal.
Que Deus nos abençoe. Ao Pe. Pedro Rubens, meu antecessor, agradeço o legado que recebo, com toda a humildade e gratidão. À Companhia de Jesus, pelo confiança depositada neste servo. Aos professores, colaboradores e estudantes desta casa, peço desde agora a parceria, a paciência e a fé em que, juntos, saberemos navegar essas águas.
Que tenhamos uma navegação à altura do nosso tempo e da nossa missão. Muito obrigado!
Pe. Carlos Fritzen, SJ
Reitor da Universidade Católica de Pernambuco
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Expediente - Coluna 1
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