Publicado Por: Alessandro Douglas

A pandemia do Coronavírus vem trazendo problemas além da doença. Um deles é a crise econômica que está deixando milhares de brasileiros aflitos em como vai ficar a vida diante dos cortes na jornada de trabalhado e, consequentemente, nos salários. Muitos têm a vantagem trabalhar em home office, no entanto, uma parcela de trabalhadores, que tem a necessidade de sair de casa para trabalhar, se pergunta se continuam trabalhando e correndo risco, ou se adotam a quarentena. Muitos acabam optando por correr o risco, pois precisam do salário. E para sustentar privilégios de uma classe, a outra tem sua vida colocada em risco.

Sabe-se que o vírus é ruim para todos, porém, ele é ainda pior para a população pobre, que não possui os benefícios que o vírus vem cobrando. À exemplo, a possibilidade de isolamento na quarentena acaba ficando longe da perspectiva de muitos empregados. O medo do desemprego, de não ter como pagar as contas no final do mês e de não ter como alimentar a família, é maior que o medo de adquirir o vírus. Muitos patrões, para não abrir mão de suas regalias, não objetivam liberar seus empregados, e os que objetivam muitas vezes não planejam ajudá-los financeiramente durante o período de isolamento. Portanto, os empregados não podem parar por uma questão necessidade.

Alguns casos têm chamado a atenção da população, causando até revolta em uma parte de internautas. Empregados, que não foram liberados em meio a quarentena, têm sua vida colocada em risco por patrões que testaram positivo para o Covid-19. Os patrões vem se colocando em quarentena e esquecendo dos perigos que seus empregados enfrentam para chegar em seu local de trabalho, além disso, existem alguns casos em que empregadores infectados transmitem o vírus para seus empregados, como ocorreu no bairro de classe alta localizado no Rio de Janeiro, quando um casal testou positivo para o vírus mas não liberou a empregada doméstica que trabalhava com eles. Em outro caso, que aconteceu em Feira de Santana, na Bahia, a patroa contaminou a empregada, colocando em risco também a vida de seus pais idosos, que estão na linha de risco. Em um caso mais grave, também ocorrido no Rio Janeiro, no município de Miguel Pereira, a empregadora, que estava contaminada, teve contato com sua funcionária, uma idosa de 63, que veio a falecer com sintomas da doença. Diante do cenário atual, alguns economistas estão buscando medidas que possam garantir o amparo desses trabalhadores, garantindo a possibilidade de isolamento.

Matéria: Odara Hana / Imagem: Rafael Neddermeyer

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