I Simpósio de Autismo da Unicap reuniu profissionais para falar sobre os desafios e avanços da equipe multidisciplinar - Unicap

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I Simpósio de Autismo da Unicap reuniu profissionais para falar sobre os desafios e avanços da equipe multidisciplinar

Publicado Por: Daniel França

A segunda etapa do I Simpósio de Autismo da Unicap reuniu, no auditório G2, profissionais das mais diversas áreas para falar sobre os desafios e avanços da equipe multidisciplinar no atendimento a pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Uma curiosidade que emocionou o público foi o fato de vários profissionais convidados terem algum parente autista ou ligação afetiva, legitimando o chamado ‘lugar de fala’.


Entre os temas abordados estavam a intervenção da fisioterapia; cuidados com o cuidador; atendimento educacional especializado; entendendo a linguagem do TEA; autista no ensino superior; e aspectos nutricionais. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) foi um dos conceitos abordados pela fisioterapeuta Maria Perfecta Duran.


De acordo com ela, essa classificação identifica as deficiências relevantes nas estruturas e funções corporais, além de avaliar a existência de limitações funcionais, durante a realização de uma tarefa, e de restrições à participação social. O CIF é um importante aliado da equipe de profissionais no tratamento das pessoas com TEA. “Os benefícios da avaliação multidisciplinar no autismo são inúmeros, tanto para os pacientes, quanto para os familiares. E ainda mais, são excelentes para a própria equipe, visto que conseguem ter melhores resultados nas suas condutas quando o modelo de atuação é centrado no paciente”, destacou.

Assim como a equipe multidisciplinar, a ocorrência de TEA provoca consequências em toda a família, principalmente no cuidador que, na maioria dos casos, é a mãe. Por isso, a necessidade de uma atenção especial a quem cuida de alguém com TEA. É o que defendeu a professora e fisioterapeuta Cristiana Brito. Ela desenvolve um projeto de extensão voltado para esse público. O “Dialogando com Cuidadores” existe há mais de dez anos. “Trabalhamos com alongamentos enquanto as crianças são atendidas nas outras dependências da Clínica. Fazemos exercícios de fortalecimento da musculatura, dinâmicas de grupo, rodas de conversa”, explicou ela sobre os atendimentos que acontecem na Clínica Escola Corpore Sano da Unicap.

“A cada semestre a gente vai ajustando a partir das sugestões delas”. As ações deram origem a sua tese de doutorado que comprovou que a atuação multidisciplinar traz benefícios também para os cuidadores com “redução do nível de sobrecarga e melhora significativa da qualidade de vida como melhora das condições de saúde (dor, postura), autoestima e mais disposição para atividades físicas”.


A Linguagem foi abordada na terceira palestra da tarde com a professora Isabela Rêgo Barros, do Programa de Pós-graduação em Ciências da Linguagem da Unicap e fonoaudióloga por formação. “Há um funcionamento linguístico-discursivo singular, considerando o modo como cada criança apreende e utiliza a língua, instaurando o outro diante de si. Logo, as combinações linguísticas operadas pela criança são efetivadas dentro do sistema da língua e sinalizam a atividade do locutor para se propor como sujeito na relação com o outro”, pontuou.


Um dos momentos mais emocionantes foi quando a professora do curso de Pedagogia, Shalimar Reis, revelou que era esposa e madrasta de autistas. Viúva e vivendo com o enteado, ela só descobriu o autismo do marido pouco antes de ele falecer. “Minha fala vai ser desses dois lugares.” Ela contou que o casamento veio de um reencontro com o primeiro amor dos 13 anos e que voltou a ser vivido trinta anos depois. “Ele era divorciado e pai de dois filhos”. Shalimar contou que o marido era habilidoso no campo da música, “sendo um excelente luthier”. (o trabalho de um luthier envolve habilidades técnicas e artísticas, combinando conhecimentos de marcenaria, acústica, design e música).

Ele só concluiu a graduação e a pós-graduação quando casou com ela. Não por acaso, ela foi escolhida para falar sobre o autista no Ensino Superior. “Os estudantes autistas quando não encontram apoio, acessibilidade e acolhimento, podem ser levados a intenso estresse, desregulação, ansiedade, crises disruptivas e depressão, e por consequência, acabam desistindo ou jubilando a graduação na universidade”.

Para Shalimar, a paciência e a acolhida de professores e colegas de turma são fundamentais no processo de aprendizagem deles. “A permanência na faculdade é um duplo desafio aos autistas, que precisam manter um bom desempenho e a ainda criar um círculo saudável de pessoas ao seu redor a partir de uma observação. É preciso descobrir quais são os pontos fortes dele ou dela e o incentivar a usar isso em prol de si e das equipes com quem trabalham”, destacou.


O desafio do ambiente de aprendizagem passa pelo atendimento educacional especializado (AEE), tema tratado pela pedagoga Flávia Cavalcanti Rocha. Com 20 anos de experiência lidando com crianças autistas, ela afirma que a “personalização faz toda a diferença”. De acordo com ela, o AEE tem de ser “realizado por um professor de educação especial para minimizar as barreiras existentes que impeçam ou dificultem a convivência, o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos com deficiência, transtornos do desenvolvimento, altas habilidades e super-dotação”.


Tudo isso depende também do papel da alimentação no apoio ao desenvolvimento e equilíbrio orgânico do autista. O assunto foi tema da explanação da nutricionista Kalina Duarte. Emocionada, ela contou que já tinha dez anos de formada quando ganhou um sobrinho com TEA e precisou estudar a fundo para ajudar a família a lidar com a alimentação dele já que na época pouco se falava sobre nutrição dos autistas.

O que é o autismo? - Também conhecido como Transtorno do Espectro Autista, é uma condição neurológica que afeta a maneira como uma pessoa se comunica, interage socialmente e processa informações. Evidências científicas apontam que não há uma causa única, mas sim a interação de fatores genéticos e ambientais. Os sintomas podem variar em intensidade e manifestação.

Os mais comuns incluem dificuldades na comunicação verbal e não verbal, dificuldades em entender e expressar emoções, padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos. Os autistas podem ter habilidades excepcionais em áreas específicas, como matemática, música ou demais artes.

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