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Exposição: O Vento Sopra Onde Quer

Publicado Por: Lúcia Belian
11 set 2017
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1944
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     Adélia Carvalho, nossa Irmã Adélia, uma das meninas do Grupo de Estudo do nosso Observatório das Religiões, é missionária salesiana mas é também artista plástica: transmite espiritualidade pela arte, como pinta a sua vida religiosa com a maior beleza. Adélia é uma Artista da Caminhada, retrata em seus quadros engajados a vida sofrida das nossas Severinas e Severinos, mas sobretudo simboliza a esperança do povo afrolatíndio de alcançar justiça socioambiental, em uma sociedade de Bem Viver. A irmã é também animadora de Comunidades Cristãs de Base e facilitadora do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, onde desenvolve aprendizagens lúdicas para sermos mais descentrad os e cuidadosos com os outros.

Seus quadros, como os dos textos sagrados bem interpretados, destacam as figuras humanas: para revelar que ali na esquina está o divino e nos olha, naquela prisão, hospital ou favela… Onde a carne sofre, aí está Jesus, crucificado; onde a carne ama, cuida e se relaciona, aí está o Cristo, glorificado.

Adélia é uma pessoa íntegra, de gestos ternos e traços que encantam. Ensaia a estética de um outro mundo possível, onde a própria espiritualidade cristã transborda e se torna relacional e inclusiva, rompendo fronteiras entre sagrado e profano, criando pontes alterativas entre identidades que se estranham. Suas figuras tão humanas, que só podem ser divinas, vivem fazendo roda e dançando ciranda, criando um vazio entre diferentes culturas e religiões. A pintura de Adélia sugere sempre espaço para um misterioso “terceiro”, entre e além. E por isso desperta para a mais autêntica mística.

Esse “terceiro incluído” na sua arte remete à busca de um outro nível de realidade, àquela ética de amorosidade, que pode religar pessoas antagônicas em uma fé que se faz silêncio ou atitude de cuidado pelos outros e pelo nosso meio ambiente. A Irmã Adélia ajuda a gente a entrecruzar caminhos entre e para além das religiões formais. Pois, afinal, os templos apontam para o além: se ficarmos apenas olhando os templos, perderemos o céu estrelado e o seu reflexo: em nosso interior, na natureza e na história, nos olhos do outro. Obrigado, Adélia!

Gilbraz Aragão

Data: De 12 a 30 de setembro de 2017
Local: Hall da Biblioteca
Horário: 9h às 21h
Entrada franca
Informações: 81 2119-4252 / 4257

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