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ELEIÇÕES 2024
As eleições municipais de 2024 terminaram neste último domingo, 27 de outubro, e o cenário que deixam Brasil afora é complexo. Há derrotas e vitórias tanto na extrema-direita quanto na esquerda, com ascensões de políticos jovens em ambos os espectros. Segundo Melilo Dinis, em entrevista concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, os dois lados não entenderam a cabeça do eleitorado, “que carrega novas pautas e novos hábitos, mas que mantém, como tradição brasileira, um olhar conservador na política em termos de valores, trazendo possibilidades para o que chamo de 'centro ampliado', com grupos fisiológicos que se somam ao universo tradicional da política, independentemente do partido político de plantão. O mundo do trabalho, as classes, as religiões, as organizações e a política exigem um outro olhar”, finaliza.
Com essa dificuldade, o “centrão” sai como vencedor deste pleito. Para o Manoel Moraes, em entrevista concedida por WhatsApp ao IHU, é preciso entender que a vitória deste centrão é diferente da vitória do bolsonarismo. “Não está claro se essa vitória representa o vigor do movimento de extrema-direita. Há um crescimento do centrão que teve a vantagem de vários mecanismos, como o aumento dos recursos do fundo partidário, do fundo eleitoral e a própria gestão das prefeituras, que faz a diferença no chamado Brasil profundo. Ainda é cedo para saber se temos a manutenção daquilo que foi a ascensão de Bolsonaro. Arriscaria dizer que hoje a direita está dividida e, portanto, a vitória do centrão não é a vitória da frente que representa Bolsonaro. Mas certamente há um crescimento do pensamento conservador, que não necessariamente é ligado a Bolsonaro”, diz.
Em meio a esse crescimento de uma direita desconectada de Bolsonaro que surge a figura de Pablo Marçal, por exemplo. Entretanto, segundo José Geraldo de Sousa Junior, também em entrevista concedida por e-mail ao IHU, é preciso moderar a importância dada a este personagem. “Nos anos 1960 Umberto Eco já chamava a atenção para o fenômeno que descreve a incubadora dos marçais: ‘As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel’”.
No campo da esquerda, Manoel Moraes destaca três figuras: o prefeito reeleito de Recife, João Campos (PSB), carismático e com uma liderança que “tomou conta das perspectivas de futuro não só do PSB, mas também do centro democrático”; Natália Bonavides, porque ela representa “o fortalecimento de uma agenda que ressignifica a perspectiva de luta de classes, de reformas de base e a estruturação do movimento social”; e Guilherme Boulos, por sua ida ao segundo turno, o que já qualifica sua condução política no futuro.
As principais lideranças dos dois lados, Lula no campo da esquerda e Bolsonaro no campo da extrema-direita, saem destas eleições em diferentes tamanhos. Para José Geraldo de Sousa Junior, o atual presidente não foi tão afetado pelo pleito por já ter um lugar carismático entre os brasileiros e na cena política. “Ele recepciona adesão maior do que aquela que é cativa da esquerda (partidos de esquerda) e tem reconhecimento pela projeção nacional e internacional de seu protagonismo que o faz destinatária da confiança de eleitores conservadores e até de direita”. Já Bolsonaro, pontua, sai menor por perder para a direita mais moderada como em Goiânia, Minas e até em São Paulo. “O discurso de Nunes hipotecando gratidão e submissão à liderança do governador Tarcísio de Freitas, sinaliza para um bolsonarismo sem Bolsonaro”.
Por: André Cardoso e Patrícia Fachin / 28 de 2024.
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