Título Notícias Humanitas

null Colaboradora do IHU defende tese de doutorado

Publicado Por: José Maria

Defesa de doutorado da aluna Maria Conceição Costa

Data: 09/11/2022
Hora: 15h
Local: https://meet.google.com/onu-ubzy-vwv 

TÍTULO: “CLÍNICA PSICOLÓGICA ANTIRRACISTA: UMA NOVA EPISTEME PARA UMA PSICOLOGIA DECOLONIAL BRASILEIRA”
 

RESUMO

Esta tese busca problematizar a clínica psicológica, numa perspectiva interseccional, querendo compreender limites e possibilidades desta clínica para o acolhimento de pessoas negras que  reportaram ao racismo em suas narrativas. Deforma específica, pretende-se compreender como o processo de construção do racismo brasileiro rebateria na clínica psicológica; descrever teorias e práticas antirracistas na clínica psicológica; compreender os modos como a clínica psicológica contempla as vozes racializadas. Os objetivos propostos direcionaram-se a refletir sobre o processo de construção do racismo estrutural brasileiro, o que exigiu uma postura interseccional, dado que este racismo expressou sua vertente profundamente discriminatória, o que causou a apartação da sociedade brasileira colocando as pessoas negras na condição de subalternas e pessoas brancas na condição de privilegiadas. Por consequência, estimulam-se construções e posições subjetivas racializadas da população negra e racistas da população branca, o que definiu o lugar e o não lugar dos sujeitos. Como caminho metodológico, utilizamos entrevistas narrativas realizadas com 6 mulheres negras, sendo três pacientes/clientes e três terapeutas (também mulheres negras) a partir das quais cartografamos suas trajetórias, buscando analisar suas situações de experiências clínicas, não exitosas para cliente/pacientes, devido a sua cor e como foram possíveis para as terapeutas. O percurso cartográfico pensado como um “caminhar” permitiu mapear os processos de experiências do racismo em uma perspectiva dos estudos da colonialidade, interseccionalidade e processo decolonial. Mais que um método, um posicionamento cartográfico guiou-nos na forma de realizar a pesquisa, entendendo-se esse processo como formulação de uma pesquisa interventiva. Esse estudo poderá contribuir com a construção de proposições que permitam a caracterização de um posicionamento ético-estético-político para uma clínica antirracista, bem como para indicativos voltados para uma episteme política dirigida à escuta dessas populações e das demandas de sofrimento psíquico por situações de racismo. Ser um sujeito negro no Brasil significa ser um não sujeito, ao passo que, por outro lado, a branquitude se reflete no absoluto lugar do todo, o qual não se dá conta da dor e sofrimento do outro, pois este outro pelo racismo é invisibilizado e por vezes negado e silenciado. Como resultados encontramos, a partir das narrativas e das produções teóricas levantadas, que podemos considerar que uma clínica antirracista é um conceito ainda faltante na psicologia brasileira, pois essa não reflete sobre o racismo, nem o seu (institucional) e nem o da sociedade (estrutural), como deveria. A clínica psicológica se constitui no cotidiano ainda alheia às questões raciais, quando podemos levar em conta que há uma clínica que nega o racismo.

Entretanto, ponderamos que a exceção se dá com as psicólogas negras encontradas por nós, realizando tal prática na psicologia e na clínica há pelo menos 40 anos, sendo aqui tomadas como as clássicas da psicologia, pois fazem uma psicoterapia em uma ação que considera as narrativas sobre o racismo e os agravos do racismo à saúde mental. Apontamos que é preciso escutar essas autoras que discorreram a sobre a clínica, a partir da leitura de Frantz Fanon, sendo autoras que definimos como as clássicas contrahegemônicas, que trazem a fundamentação teórica dessa tese: Virgínia Bicudo, Neusa Santos, Lucia da Silva, Isildinha Baptista, Jesus Moura, as quais já fazem (e faziam) uma clínica antirracista, brasileira e descolonizada, portanto decolonial. Para um compromisso ético-político, é preciso incorporar na psicologia os conceitos de interseccionalidade (Caletiva Rio Combahee, krenshaw) e o princípio sociogênico (Fanon e Winter), para uma leitura crítica e transformadora dessa realidade social. Encontramos, a partir do conhecimento decolonial, que o caminho para a conceituação de uma clínica antirracista pressupõe um posicionamento ético – estético, político, portanto, em uma práxis. Pontuamos que a clínica antirracista não deverá ser realizada só por e para pessoas negras, mas por todas(os) as(os) profissionais que tenham consciência racial, levando em conta as(os) psicoterapeutas(os) negras(os)
e letramento racial considerando as(os) terapeutas brancas(os).

Palavras-chave: Psicologia; Clínica; Antirracismo; Decolonialidade; Interseccionalidade.

Titulares da Banca Examinadora
Profª. Drª. Ana Lúcia Francisco(Orientadora).
Profª. Drª. Paula Cristina Monteiro Barros(UNICAP).
Profª. Drª. Maria Cristina Lopes de Almeida Amazonas(UNICAP).
Profa. Dra. Miriam Cristiane Alves(UFRGS)
Profa. Dra. Elisabete Figueroa dos Santos(UNIP)

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