Aula magna do Pibid e PRP discute os desafios da formação de professores - Unicap

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Aula magna do Pibid e PRP discute os desafios da formação de professores

Publicado Por: Daniel França

O auditório G1 ficou lotado na noite desta quarta-feira (22) para a abertura oficial dos programas de Residência Pedagógica (PRP) e de Iniciação à Docência (Pibid) que, na Unicap, são geridos pela Escola de Educação e Humanidades. Alunos e professores dos cursos de Licenciatura foram recebidos ao som do grupo MPB Unicap.

A mesa dos trabalhos foi composta pelo Pró-reitor de Graduação, Degislando Nóbrega; pela coordenadora da Residência, Maria do Carmo Mota; pelo coordenador do Pibid, Raphael Nascimento; e pelos preceptores da Escola Dom Vital, Sérgio Costa Carvalho (Química) e Kátia Cunha (Física). Atualmente a Católica tem 90 alunos na Residência Pedagógica e 120 no Pibid.

A aula magna coube ao Prof. Dr. Junot Matos, que abordou o tema “É possível (de) (in) FOMAR um/uma professor/a?”. Com 25 anos de atuação na Unicap, Junot foi decano do então Centro de Teologia e Ciências Humanas (CTCH), que se transformou na atual Escola de Educação e Humanidades, e Pró-reitor Acadêmico da Católica. Há 13 anos, ele é docente do Departamento de Filosofia e dos programas de pós-graduação da área na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Doutor em Educação, Junot se dedica há anos à pesquisa em torno da discussão das políticas públicas de formação de professores. Ele relembrou os fóruns que debatiam a profissionalização, plano de cargos e salários e carreira docente e como decidiu fazer doutorado em Educação investigando a formação do professor de Filosofia.

“Eu achava que bons cursos de Pedagogia resolviam essa questão da formação, mas era preciso pensar políticas públicas de fomento a essa formação. E ainda assim não era suficiente. As pessoas são animais inconclusos”, disse ele parafraseando Paulo Freire e ressaltando a importância da formação contínua do professor.

Durante a palestra, ele relembrou a criação de órgãos de fomento como o então Ministério da Instrução e Saúde nos anos 1930; da criação dos primeiros programas de pós-graduação na década seguinte; da instalação do CNPq nos anos 1950 e, mais recentemente nos anos 2000, do programa nacional de formação de professores de Filosofia (Prof Filo), do qual ele participou das articulações.

Junot também abordou os desafios e as mudanças surgidas ao longo dos últimos anos, sobretudo pelas transformações tecnológicas e seus impactos na relação ensino/aprendizagem. De acordo com ele, os conhecimentos pedagógicos no Brasil migraram das filosofias para as psicologias.

“A minha geração aprendeu que quanto mais espalhado o professor, melhor era. O professor era um tipo de 'Silvio Santos vem aí'. Era uma época em que o conhecimento era centrado na figura do professor”, disse.

O pesquisador ressaltou ainda que o papel da escola segue relevante. “Eu não acho que a escola faliu, já era. Pelo contrário, é muito competente para atender as demandas do capitalismo”.

No entanto, a atual conjuntura foi alvo de críticas do professor. Ele defende a revogação do novo Ensino Médio. “Existem pesquisas que apontam que as escolas públicas não estão preparadas para dar conta do novo ensino médio. Vamos colocar em discussão?”, indagou.

Para Junot, a formação cidadã e política do estudante é um desafio para o Brasil. “Precisamos formar nossos estudantes politicamente para intervenção no Estado brasileiro. A formação política não é a ideológica marxista, a materialidade dialética. É a liderança estudantil”, enfatizou.

Ele ainda analisou pontos das duas políticas de formação de professores no Brasil. Sobre o Pibid, Junot chamou a atenção para o ganho interdisciplinar. “A formação passa a ser uma praça, sem curso isolado ali e outro acolá. O Pibid lança mecanismos de aproximação e conhecimento da escola”.

Já com relação ao PRP, o pesquisador destacou que “esperávamos ganhar em avaliação, planejamento e gestão. Ganhamos uma residência genérica, mas é a oportunidade de estarmos na escola. Não é um mero estágio obrigatório. Na Residência, o aluno tem a chance de vivenciar junto com seu supervisor a oportunidade de conhecer os mecanismos de ensino e aprendizagem. É um processo de formação que não termina nunca”.

Ainda sobre a formação contínua, Junot afirmou que “nenhuma formação, por mais alta que seja, dá conta da demanda e da dinâmica do chão da escola. Os professores são convidados permanentemente a se reinventar. A titulação é apenas um marco na sua constituição enquanto gente”.

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