Título Notícias Humanitas

Ato no Dia Internacional dos Direitos Humanos

Publicado Por: José Maria da Silva Filho

Hoje, 10 de dezembro, comemora-se o Dia Internacional dos Direitos Humanos, data em que se proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948.

Para o ativista de direitos humanos, a Declaração permanece como um marco civilizatório indispensável, ainda que sua existência exponha contradições profundas na geopolítica global. No entanto, a importância do documento reside justamente em servir de bússola ética persistente: ele nos lembra do horizonte que devemos perseguir, expondo as contradições daqueles que priorizam o poder bélico em detrimento da vida humana. É paradoxal observar nações que, embora signatárias da defesa da dignidade e da liberdade, continuam a financiar guerras e a alimentar conflitos devastadores por interesses econômicos.

Essa distância entre a teoria diplomática e a realidade prática evidencia que a efetivação dos direitos não é uma concessão dada por ninguém, mas sim uma construção coletiva. A luta pelos direitos humanos é, essencialmente, uma batalha contínua protagonizada por grupos organizados e movimentos sociais que enfrentam as desigualdades estruturais. São essas vozes que impedem que a dignidade se torne letra morta, transformando a indignação contra a miséria e a opressão em ações concretas por justiça social. A história nos ensina que nada nos foi dado; tudo é conquistado.

Em um gesto de compromisso e solidariedade, a Unicap convida a comunidade a aderir à Campanha Internacional do Banco Vermelho e a participar de um ato que visa reforçar a reflexão crítica e a ação efetiva no combate à violência de gênero.

As "Semanas da Mulher na Unicap", que chegam a sua 23ª edição, são um testemunho incontestável de que o debate sobre direitos humanos dentro do espaço acadêmico é indissociável da denúncia à violência da colonialidade. É crucial reconhecer que não há defesa plena da mulher sem o enfrentamento direto ao racismo e ao apagamento histórico que atinge as populações negras e indígenas. Ignorar esses recortes interseccionais seria perpetuar uma visão de direitos humanos seletiva, superficial e profundamente excludente.

A Universidade tem um papel fundamental como motor dessa transformação cultural e política. Mais do que um espaço de formação técnica, ela deve operar como um território de mudança de mentalidade, em que o pensamento crítico desmonta preconceitos seculares. Ao acolher essas discussões de forma interseccional e corajosa, o ambiente acadêmico cumpre sua verdadeira função social: formar cidadãos capazes de construir uma realidade em que os direitos sejam, de fato, inegociáveis.

Quanto ao Pe. Pedro Rubens, Embaixador da Universidade, sua gestão, que agora se encerra, foi crucial para abrir as portas da instituição, permitindo que o corpo docente desenvolvesse um trabalho que une, de fato, teoria e prática. Sua perspectiva crítica e comprometida impulsionou a luta contra a xenofobia, a homofobia e o racismo, garantindo que a universidade não fosse apenas uma "fábrica de diplomas", mas sim uma autêntica construtora de um projeto de sociedade. Pe. Pedro foi um guia moral e intelectual que conduziu esta comunidade acadêmica a transcender os muros da teoria e a se comprometer integralmente com a construção de uma sociedade equitativa. Por fim, é com profundo reconhecimento que a equipe organizadora da Semana da Mulher agradece o incentivo e o apoio contínuo que sustentaram este trabalho por 20 anos.


Profa. Dra. Valdênia Brito Monteiro
Colaboradora do Instituto Humanitas
Núcleo de Estudos Afro-brasileiros
e Indígenas | NEABI

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