Unicap inaugura primeira Cátedra acadêmica do Brasil dedicada à Economia de Francisco e Clara - Unicap
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Unicap inaugura primeira Cátedra acadêmica do Brasil dedicada à Economia de Francisco e Clara
A Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) deu um passo histórico na noite desta terça-feira (17), ao inaugurar oficialmente a Cátedra Unicap Economia de Francisco e Clara, a primeira iniciativa acadêmica do tipo no Brasil. Realizado no auditório Dom Helder Câmara, o evento reuniu professores, estudantes, pesquisadores e representantes de movimentos sociais, marcando o início de um espaço institucional voltado à reflexão crítica, à produção de conhecimento e à articulação social em torno de novos modelos econômicos.
A cerimônia foi conduzida pelo coordenador do Instituto Humanitas Unicap e da própria Cátedra, Prof. Dr. Pe. Lúcio Flávio Cirne, que destacou o caráter simbólico do momento: “Se antes tivemos a certidão de nascimento da cátedra, agora celebramos seu batismo”. Segundo ele, a iniciativa representa um compromisso concreto da universidade com a construção de uma economia orientada pela justiça social, pelo cuidado com a vida e pela sustentabilidade da casa comum.
Ao aprofundar a origem da Cátedra, Pe. Lúcio Flávio relembrou que a proposta começou a ser gestada durante o III Encontro Nacional da Economia de Francisco e Clara, realizado na Unicap em setembro de 2025. “Foram dias intensos e ricos de partilha de experiências, de celebrações e de vivências no horizonte de novas formas de economia a serviço da vida e da casa comum”, afirmou.
Ele ressaltou que o evento fez eco direto às palavras do Papa Francisco, ao citar: “Hoje, uma nova economia inspirada por Francisco de Assis pode e deve se tornar uma economia de amizade com a Terra e uma economia de paz”. E completou: “Trata-se de transformar uma economia que mata em uma economia da vida em todos os seus aspectos”.
Ao final da programação, a Universidade assumiu o compromisso de dar continuidade às reflexões no âmbito acadêmico. A partir disso, foi instituído um grupo de trabalho, por iniciativa do então Reitor, Pe. Pedro Rubens, culminando na criação formal da Cátedra por meio da Resolução nº 005/2025.
Pe. Lúcio também enfatizou o papel da Cátedra para além dos muros da Universidade: “É também um âmbito externo de interlocução com atores da sociedade civil organizada, com movimentos sociais, com o objetivo de promover e difundir práticas voltadas à criação de modelos econômicos capazes de inspirar novas formas de viver, produzir e se relacionar”.
Tradição acadêmica e responsabilidade social
O Vice-reitor da Unicap e Reitor em exercício, Pe. Delmar Cardoso, destacou o significado institucional da criação da Cátedra, relacionando-a à tradição acadêmica da Universidade. “É uma alegria estar aqui fazendo mais uma coisa nova na Unicap”, afirmou, lembrando que a iniciativa nasce em um contexto de intensa programação acadêmica e social.
Ele também sublinhou a relevância do curso de Economia da instituição: “O nosso curso de economia foi o mais bem avaliado na recente avaliação feita pelo Ministério da Educação em Pernambuco”. Para ele, a criação da Cátedra expressa “essa novidade e ao mesmo tempo essa tradição que a Unicap tem”.
Ao refletir sobre o conceito de Economia de Francisco e Clara, o Vice-reitor destacou a dimensão ampliada da proposta: “Quando a gente trata da economia de Francisco e Clara, não é simplesmente pensarmos nas coisas materiais, que aliás são necessárias, mas também nos abrirmos a uma transcendência”.
Em tom crítico, ele contextualizou a iniciativa no cenário atual: “Vivemos um período tão conturbado, em que muita gente não pensa mais numa economia que envolva as pessoas”. E concluiu: “Inaugurar essa cátedra é assumir uma responsabilidade maior”.
Integração com outras cátedras da Unicap
A proposta nasce em sintonia com outras experiências acadêmicas já consolidadas na Universidade, reforçando o caráter interdisciplinar e colaborativo da iniciativa. Durante a abertura, os coordenadores e coordenadoras apresentaram as demais cátedras:
- Cátedra Unicap de Direitos Humanos Dom Helder Câmara (2009)
- Coordenador: Prof. Manoel Moraes
- Cátedra Chiara Lubich (2013)
- Coordenadora: Profa. Paula Maciel
- Cátedra Laudato Si’ (2020)
- Coordenador: Prof. Luiz Felipe de Lacerda (participação remota)
- Cátedra Luiz Beltrão de Comunicação (2021)
- Coordenadora: Profa. Andrea Trigueiro
Articulação internacional e reconstrução global do pensamento econômico
Em mensagem enviada do Peru, o frei Giampiero Gambaro — vice-reitor da Universidad Católica Sedes Sapientiae e representante da família franciscana na Economia de Francisco — situou a criação da Cátedra em um contexto global de crises e desencantos, afirmando que “a humanidade está experimentando muitas decepções em distintas dimensões da vida”. Para ele, esse cenário revela um empobrecimento do “capital espiritual” da humanidade e exige uma resposta que vá além da racionalidade técnica. Nesse sentido, defendeu a necessidade de “um pensamento claro e forte”, mas que seja também capaz de “integrar sentimentos, emoções, espiritualidade e amor”.
Ao contrastar esse horizonte com os avanços das inteligências artificiais, destacou que, embora elas produzam conteúdos sofisticados, “não podem ser” aquilo que define o humano em sua plenitude. Frei Giampiero enfatizou ainda que a proposta da Economia de Francisco e Clara não se limita à repetição de ideias, mas implica renovação contínua: “é como aprender o fogo no início, e esse fogo deve ser renovado todos os dias com carinho, coragem e clareza”. Por fim, evocando a espiritualidade franciscana, apontou que a verdadeira transformação passa por uma ética da humildade, da paz e da dignidade, inspirada na vivência de São Francisco, como caminho para reconstruir relações e promover uma economia mais humana e reconciliadora.
Articulação em rede e memória do movimento
O presidente da Associação Brasileira da Economia de Francisco e Clara (ABEFC), Eduardo Brasileiro de Carvalho, destacou a dimensão histórica da iniciativa e sua conexão com o movimento iniciado em 2019. “A memória que faz acontecer essa cátedra nasceu quando surgiu a articulação brasileira pela economia de Francisco e Clara”, afirmou.
Ele enfatizou a importância da participação feminina no movimento: “Reconhecer Clara não é apenas valorizar o protagonismo da mulher, mas constatar que, para pensar um novo paradigma de sociedade, é necessário que homens e mulheres caminhem juntos”.
Ao rememorar o encontro realizado na Unicap, Eduardo destacou a mudança de perspectiva ocorrida durante o evento: “Nós começamos dizendo que a economia pode ser justa para todas as vidas. Mas terminamos afirmando: a economia vai ser justa para todas as vidas já!” Para ele, a Cátedra representa essa virada: “Ela afirma que o saber, quando conectado à vida real, pode reconstruir a arquitetura política e econômica do nosso país”.
Crítica ao modelo econômico e debate sobre subdesenvolvimento
A professora de Economia Ana Cláudia Arruda trouxe uma análise crítica ao modelo econômico dominante. “A economia que mata é isso mesmo. O modelo econômico atual não nos entregou o progresso prometido”, afirmou.
Ela destacou que a desigualdade permanece como um dos principais desafios, especialmente nas economias periféricas. “A questão da desigualdade é extrema”, disse, ao introduzir o conceito de subdesenvolvimento a partir de Celso Furtado. Segundo ela, trata-se de “uma condição de difícil reversibilidade, uma deformação do capitalismo que se retroalimenta”.
Para enfrentar esse cenário, defendeu mudanças estruturais: “Faz-se necessário o rompimento das estruturas anacrônicas, com mobilização política e radicalização dos processos democráticos”. E concluiu apontando o papel da universidade: “Estar numa universidade comunitária, no Nordeste, lançando essa cátedra, é algo extremamente significativo”.
Juventude, legado e transformação
O integrante da Cátedra e representante da Comunidade dos Viventes, Gabriel Marquim, destacou a atualidade do pensamento do Papa Francisco e sua capacidade de diálogo. “Uma das contribuições mais relevantes da cátedra é fazer com que o legado de Francisco permaneça vivo”, afirmou.
Doutor em Ciências da Religião pela Unicap, ele lembrou que o pontífice foi capaz de “unir pensamentos diferentes numa causa comum”, mesmo em meio a críticas e polarizações. “O Papa Francisco abriu pontes, construiu pontes e se relacionou com diferentes campos: educação, cultura, política”, ressaltou.
Já Mateus Cavalcanti enfatizou o caráter desafiador da proposta: “Pensar uma nova economia é um projeto muito ambicioso, chega a flertar com a utopia”. Para ele, o caminho passa pela articulação em rede: “A gente precisa trabalhar em comunidade, articulando movimentos sociais, igrejas e academia”.
Ele também destacou o papel estratégico da juventude: “A universidade é um espaço majoritariamente jovem, e a cátedra nos provoca a pensar como essa formação pode dar sentido ao futuro”.
Economia, território e compromisso acadêmico
O professor de Economia Valdeci Monteiro ressaltou a conexão entre a Economia de Francisco e Clara e o pensamento social brasileiro. “Há uma sintonia muito estreita com Dom Helder Câmara, especialmente na centralidade da pessoa humana e na crítica ao modelo econômico excludente”, afirmou.
Ele também destacou que o movimento não surge de forma isolada: “O Papa Francisco convocou três prêmios Nobel de Economia para esse diálogo. Ou seja, há um lastro acadêmico importante”.
Extensão e transformação social
Encerrando as falas, o professor João Elton destacou o papel da extensão universitária na consolidação da Cátedra. “A universidade não forma apenas profissionais, mas pessoas capazes de transformar a realidade”, afirmou o assessor de Extensão e de Educação Continuada da Unicap.
Ele ressaltou que a proposta é integrar saber acadêmico e saber popular: “A extensão é essa ponte entre o que se pesquisa e as demandas da sociedade”. E concluiu: “A Cátedra traz essa possibilidade de, com cabeça, coração e mãos, desenvolver projetos que promovam transformação social”.
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