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Pesquisador da PUC-Rio aponta caminhos para transformar avaliação em ação estratégica na pós-graduação stricto sensu

Pesquisador da PUC-Rio aponta caminhos para transformar avaliação em ação estratégica na pós-graduação stricto sensu
Referência na formulação de políticas científicas no país, o pró-reitor de Ensino e Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Marco Cremona, foi o palestrante da aula inaugural do semestre 2026.1 da Pós-graduação Stricto Sensu da Unicap. Ele falou sobre ações estratégicas sustentáveis e inovadoras para fortalecer a pós-graduação Stricto Sensu. Doutor em Física, com passagem pela Agência Nacional Italiana para Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Econômico Sustentável, em Roma, e autor de mais de 160 artigos científicos em periódicos de alto impacto, ele também ocupa posições em órgãos como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Sociedade Brasileira de Física.
Em entrevista ao Boletim Unicap, o pesquisador aponta que o principal desafio da pós-graduação brasileira hoje não está mais em compreender os critérios de avaliação, mas em convertê-los em práticas efetivas, capazes de gerar impacto acadêmico e social. Segundo ele, a crescente complexidade dos modelos avaliativos exige dos programas uma mudança de postura — menos reativa e mais estratégica, orientada por identidade institucional e planejamento de longo prazo. Ao defender a diversificação de financiamento, a inovação nos modelos formativos e o fortalecimento da autoavaliação, o professor ressalta que a sustentabilidade dos programas dependerá da capacidade de alinhar excelência científica, relevância social e eficiência de gestão.
Boletim Unicap - Professor, na sua palestra o senhor propõe uma transição “da avaliação à ação”. Quais são, na prática, os principais desafios que os programas de pós-graduação enfrentam hoje para transformar resultados avaliativos em estratégias concretas de melhoria?
Marco Cremona - Os programas de pós-graduação, especialmente nas instituições comunitárias, enfrentam desafios relevantes para transformar os resultados das avaliações da Capes em estratégias concretas de melhoria. Isso ocorre, sobretudo, porque o modelo avaliativo tornou-se mais multidimensional e orientado ao impacto, exigindo não apenas produção acadêmica, mas também relevância social e coerência institucional.
Um dos principais obstáculos é converter critérios complexos em ações práticas, com metas e indicadores claros. Além disso, a ênfase crescente no impacto social exige que os programas consigam demonstrar a aplicação e os efeitos de suas pesquisas, o que ainda é uma dificuldade. Soma-se a isso a transição nas métricas de avaliação, que gera incertezas, e a necessidade de melhorar a gestão e organização de dados.
No caso das instituições comunitárias, há ainda o desafio de equilibrar sua missão regional com as exigências de excelência acadêmica, além de fortalecer uma cultura contínua de autoavaliação e engajamento docente.
Nesse contexto, é fundamental destacar que os programas não devem simplesmente se adaptar às exigências da Capes. Ao contrário, devem orientar suas ações a partir de suas próprias vocações, estratégias e perspectivas institucionais, conforme definidas nos Planos de Desenvolvimento Institucional (PDI). A avaliação, portanto, deve ser apropriada criticamente pelos programas, servindo como instrumento de qualificação alinhado à identidade e ao projeto institucional, e não como um fim em si mesma.
Boletim Unicap - Considerando o cenário atual da pós-graduação stricto sensu no Brasil, que caminhos o senhor aponta como mais promissores para fortalecer a sustentabilidade acadêmica e institucional dos programas?
Marco Cremona - Os caminhos mais promissores para fortalecer a sustentabilidade acadêmica e institucional dos programas passam por mudanças estruturais no modelo de formação, gestão e financiamento. Em primeiro lugar, a sustentabilidade financeira exige maior diversificação de fontes de recursos, com ampliação das interações com o setor produtivo e com o setor público. É necessário intensificar a participação dos egressos na indústria e fortalecer a articulação com a sociedade, o que permite gerar novas formas de financiamento e aumentar a relevância dos programas (fundos patrimoniais, doações)
Além disso, há um desafio importante de eficiência na gestão dos recursos disponíveis tanto na pós-graduação que na graduação. No primeiro caso, a própria Capes identificou milhares de bolsas não utilizadas, evidenciando que a sustentabilidade também depende de melhor planejamento, uso racional dos recursos e monitoramento contínuo dos indicadores institucionais. No caso da graduação, a eficiência na gestão passa necessariamente pela corresponsabilização de todos os cursos/departamentos para uma melhor gestão e utilização dos recursos e também para a procura de fontes de financiamento alternativas (ensino a distância). A sustentabilidade não virá da simples adaptação às exigências da Capes, mas da construção de projetos institucionais coerentes, estratégicos e alinhados à identidade de cada programa
Outro eixo fundamental é a reconfiguração do modelo acadêmico, com ingresso mais flexível, itinerários formativos mais dinâmicos, maior ênfase em pesquisa e menor centralidade em disciplinas, além do fortalecimento da interação com outros setores da sociedade.
Assim, a sustentabilidade dos programas resulta da combinação entre gestão eficiente, diversificação de recursos, inovação acadêmica e alinhamento estratégico institucional.
Boletim Unicap - A inovação aparece como um eixo central na sua abordagem. Como os programas podem incorporar práticas inovadoras sem perder o rigor acadêmico e os critérios exigidos pelos órgãos de avaliação?
Marco Cremona - A incorporação da inovação nos programas de pós-graduação não deve ser entendida como ruptura com o rigor acadêmico, mas como sua evolução. No cenário atual, a própria lógica de avaliação passou a reconhecer não apenas a produção científica tradicional, mas também o impacto, a transferência de conhecimento e a interação com a sociedade, o que abre espaço para práticas inovadoras sem comprometer a qualidade. Nesse sentido, um primeiro caminho é integrar inovação ao núcleo acadêmico dos programas, e não tratá-la como algo periférico. Isso implica fortalecer a pesquisa aplicada, ampliar parcerias com o setor produtivo e com o setor público e estimular a produção de conhecimentos que resultem em soluções concretas, mantendo, porém, critérios sólidos de método, fundamentação teórica e validação científica. A inovação, portanto, deve estar ancorada em pesquisa de qualidade. Além disso, a inovação deve ser orientada pelas vocações e estratégias institucionais, conforme definidas nos PDI´s e no planejamento dos programas para evitar iniciativas desconectadas e assegurar coerência acadêmica e identidade institucional.
Por fim, o elemento-chave para equilibrar inovação e rigor é a autoavaliação contínua. Ao monitorar resultados, impactos e qualidade da produção, os programas conseguem ajustar suas práticas inovadoras sem perder os parâmetros acadêmicos exigidos pelos órgãos de avaliação.
Boletim Unicap - A partir da sua experiência na PUC-Rio, que iniciativas ou boas práticas poderiam inspirar instituições como a Unicap no aprimoramento de seus programas de pós-graduação?
Marco Cremona - A experiência da PUC-Rio evidencia que o fortalecimento dos programas de pós-graduação passa por um conjunto articulado de estratégias institucionais, acadêmicas e de gestão, que podem inspirar instituições como a Unicap. Uma primeira boa prática é o investimento consistente na busca por excelência acadêmica, com foco na consolidação de programas fortes e bem avaliados.
É fundamental, também, que a gestão estratégica seja baseada em planejamento e autoavaliação contínua. A apresentação reforça que os programas devem estar alinhados ao PDI e às vocações institucionais, utilizando a autoavaliação como ferramenta central de tomada de decisão.
Por fim, merece destaque a busca por diversificação de fontes de financiamento e pela eficiência na gestão de recursos, aspectos fundamentais para a sustentabilidade das instituições comunitárias. Assim, mais do que replicar modelos, a principal lição é a construção de estratégias próprias, baseadas na identidade institucional, no planejamento de longo prazo e na articulação entre qualidade acadêmica, impacto social e sustentabilidade.
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