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Antropóloga americana visita a Unicap

Publicado Por: Daniel França

O Reitor da Unicap, Padre Pedro Rubens, recebeu a visita da americana Janice Perlman. O encontro aconteceu na tarde desta terça-feira (4), na Reitoria da Universidade. A antropóloga veio conversar com Padre Pedro a respeito da sua nova pesquisa que vai investigar as transformações sociais e econômicas da região Metropolitana do Recife após a instalação do Complexo Portuário de Suape.  

Janice estudou as comunidades de Pontezinha e Ponte dos Carvalhos na década de 1960 junto com alunos brasileiros e americanos, quando os locais ainda eram simples vilas de pescadores. “Eles viviam de pescaria num nível muito pobre, mas sem ser humilhado, sem ser degradado. Tinham uma vida consistente e muito feliz”.

Mais de 50 anos depois, Janice obteve recursos de um edital da Fundação Fullbright para retornar às comunidades e observar o que mudou nesses locais até então afastados dos grandes centros urbanos do Cabo de Santo Gostinho e do Recife e que agora são vizinhos de um dos maiores complexos portuários do país, com uma área territorial cinco vezes a da cidade de Paris.

Um dos objetivos do novo estudo é saber se as melhorias econômicas da Região Metropolitana do Recife trouxeram benefícios aos povos que ela conheceu nos anos 1960. “Pretendemos identificar quais outras organizações comunitárias existiam ou passaram a existir nesses locais, além da Igreja Católica. Acho que vai ser muito interessante”.   

Janice expressou o desejo de conhecer Padre Pedro “por ele ser uma pessoa muito respeitada”. “Eu não gostaria de começar a entrar em campo sem antes ouvir a perspectiva dele sobre Dom Helder Camara”, explicou a antropóloga ressaltando a importância do papel do ex-Arcebispo de Olinda e Recife nas comunidades de base.

O mito da marginalidade – Janice Perlman é internacionalmente conhecida também pelo livro O Mito da Marginalidade. Lançado nos EUA em 1976 e publicado no Brasil no ano seguinte pela Editora Paz e Terra, a obra traz o argumento de que as pessoas não são ativos marginais, mas são marginalizados pelo sistema que continua excluindo e quando são incluídos, são incluídos de forma assimétrica.

“É impossível as cidades existirem sem a colaboração dos moradores de favelas e o estudo mostra que cada imagem, estereótipos dos moradores de periferias são completamente errados”. A pesquisa entrevistou 750 pessoas de três comunidades do Rio de Janeiro.

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