Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha - Unicap

Título Notícias

Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Publicado Por: Carlos Alberto Pinheiro Alberto Pinheiro Vieira

Falar sobre o 25 de julho é reconhecer as mãos afro-diaspóricas que desenharam o passado e hoje reescrevem o futuro. O marco dessa data emerge de uma persistente articulação política que culminou, em 1992, na reunião de mulheres de diversos países em Santo Domingo, na República Dominicana, para o I Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas. Daquele espaço de organização nasceu a instituição do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, um divisor de águas construído para visibilizar e combater a dupla opressão do racismo e do sexismo que atravessava (e ainda atravessa) o continente. Em solo brasileiro, a mobilização fincou raízes ainda mais profundas a partir da Lei nº 12.987/2014, que oficializou a data como o Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra, unindo a pauta internacional à memória da grande líder quilombola do século XVIII.

A escolha de Teresa de Benguela como símbolo nacional do 25 de julho reconheceu a dimensão real do governo e do protagonismo de uma mulher negra. Em uma história que muitas vezes priorizou lideranças masculinas, a trajetória de Teresa nos mostra a força da gestão feminina. Após a morte de seu companheiro, José Piolho, ela assumiu a liderança do Quilombo do Quariterê e conduziu por vinte anos uma comunidade mista de populações negras e indígenas. Sob o seu comando, o quilombo operava com um modelo de deliberação coletiva semelhante a um parlamento, aliando produção agrícola, tecelagem, metalurgia e trocas mercantis com povoamentos vizinhos, até ser invadido e destruído em 1770 pelas forças coloniais, com o assassinato e a prisão de grande parte da sua população.

Essa experiência é um dos exemplos que demonstram como a população negra sempre elaborou projetos sofisticados de sociedade. O legado de Quariterê evidencia como a busca por equidade e autonomia perpassou séculos no protagonismo de mulheres que sustentaram redes comunitárias e estratégias de sobrevivência. Seja nas insurgências do passado, na organização dos territórios e terreiros, no trabalho que ergueu a infraestrutura do país ou na escrita de denúncia, o percurso da mulher negra no Brasil consolida-se pela recusa intransigente ao silenciamento e pela recriação cotidiana da própria vida.

Lélia Gonzalez foi o nome que melhor sintetizou essa ruptura ao desmantelar o discurso acadêmico que, por décadas, marginalizou as mulheres afro-latino-americanas. Criadora do conceito de amefricanidade, Lélia criticou o feminismo tradicional cego para as questões raciais e impôs uma nova gramática política que centralizou a experiência de quem é alvo direto da interseção entre patriarcado e racismo.

A celebração do 25 de julho estabelece-se como uma plataforma contínua de exigência por direitos, titulação de territórios tradicionais e garantia de acesso aos espaços de liderança. O NEABI soma-se a esse empenho ao consolidar a educação antirracista como compromisso científico, ético e institucional, reconhecendo a centralidade histórica do protagonismo feminino negro na construção de uma sociedade efetivamente justa. É, portanto, no exercício cotidiano do saber e da prática política que honramos o legado de Teresa de Benguela e de tantas outras, cujas existências impõem a urgência de um país que se reconheça, finalmente, em toda a sua potência e pluralidade.


 Joyce Conceição Mesquita
Graduada e mestra em História pelo PPGH Unicap, doutoranda em história pelo PGH UFRPE. Integrante do Instituto Ubuntu de Estudos Africanos e Diaspóricos e do Neabi Unicap.

Visualizações:
579
Compartilhar:

Aplicações Aninhadas

Expediente - Coluna 1

EXPEDIENTE

EDIÇÃO:
Paula Losada (1.652 DRT/PE)
Daniel França (3.120 DRT/PE)
Elano Lorenzato (2.781 DRT/PE)

Expediente - Coluna 2

REPÓRTER CINEMATOGRÁFICO:
Alex Costa (5.182 -DRT/PE)

DESIGNER:
Java Araújo

WEB DESIGNER:
Elano Lorenzato (2.781 DRT/PE)

Expediente - Coluna 3

CONTATO:
Rua do Príncipe, 526,
Bloco R, sala 117,
Boa Vista, Recife-PE.
Cep: 50050-900.
Telefone: (81) 2119.4010.
E-mail: assecom@unicap.br

Título Notícias Acontece na Unicap

Publicador de Conteúdos e Mídias

Joao-Paulo-e-Padre-Vito_Credito-Eduardo-Cunha-scaled-e1790116692426.jpg

PADRE VITO MIRACAPILLO É CIDADÃO PERNAMBUCANO

Artur Peregrino[1] Por que o título de cidadão de pernambucano ao Pe. Vito Miracapillo? Para corrigir uma grande injustiça! Um acontecimento histórico...

Artur Peregrino[1] Por que o título de cidadão de pernambucano ao Pe. Vito Miracapillo? Para corrigir uma grande...

Defesa Cibernética.jpeg

Unicap participa do maior treinamento em cibersegurança do Hemisfério Sul

Universidade integra treinamento nacional de defesa cibernética com equipe multidisciplinar formada por profissionais de Tecnologia da Informação, Proteção...

Universidade integra treinamento nacional de defesa cibernética com equipe multidisciplinar formada por profissionais...

Francisco-Aquino-Junior-2022.png

IGREJA E POLÍTICA

Por Padre Francisco Aquino Júnior             A preocupação com os pobres, com o bem comum, com a...

Por Padre Francisco Aquino Júnior             A preocupação...

WhatsApp Image 2026-04-06 at 16.54.10.jpeg

Unicap divulga relatório de transparência e igualdade salarial

Compromisso com a Igualdade Salarial e Inclusão na UNICAP   A Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) reafirma seu compromisso com a promoção de...

Compromisso com a Igualdade Salarial e Inclusão na UNICAP   A Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)...