Jornada promoveu debate sobre ensino religioso - Unicap

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Jornada promoveu debate sobre ensino religioso

Publicado Por: JOÃO PAES

Iniciativa de estudantes de mestrado e doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Unicap foi realizada em parceria com a Faculdade dos Palmares e a Universidade Federal do Maranhão, Campus Bacabal, e reuniu pesquisadores, educadores, representantes de diferentes tradições religiosas e integrantes do sistema de Justiça.

Como falar de religião dentro de uma escola pública sem transformar a sala de aula em espaço de pregação? Como garantir a liberdade de quem acredita, de quem segue uma tradição religiosa minoritária e também de quem não tem religião? Os professores estão preparados para trabalhar com essa diversidade? E o que acontece quando manifestações religiosas deixam de ser experiências individuais dos estudantes e passam a ocupar institucionalmente o espaço escolar?

Perguntas como essas estiveram no centro da III Jornada do Ensino Religioso, realizada na Universidade Católica de Pernambuco. O encontro nasceu de uma iniciativa de estudantes de mestrado e doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Unicap e foi construído em parceria entre a Universidade Católica de Pernambuco, a Faculdade dos Palmares, FAP, e a Universidade Federal do Maranhão, UFMA, Campus Bacabal.

Durante um dia inteiro, professores, pesquisadores, estudantes, representantes de diferentes tradições religiosas, profissionais da educação, integrantes do Ministério Público e organizações da sociedade civil ocuparam o Auditório G1 da Unicap para discutir religião, diversidade, escola pública, direitos humanos e convivência democrática.

Mais do que discutir o ensino religioso como uma disciplina, a jornada colocou uma questão maior no centro da conversa. Como conviver em uma sociedade onde existem tantas crenças, espiritualidades, identidades e formas diferentes de enxergar o mundo?

Uma jornada que nasceu dos estudantes

A presença dos estudantes de mestrado e doutorado não ficou apenas nos bastidores da organização. A própria jornada nasceu de uma inquietação que acompanha o grupo e apareceu várias vezes nas discussões ao longo do dia. A pesquisa em Ciências da Religião precisa ultrapassar os muros da universidade e conversar com os problemas que estão acontecendo na sociedade.

A parceria com a Faculdade dos Palmares e a UFMA, Campus Bacabal, ampliou essa proposta e colocou em contato experiências de Pernambuco e do Maranhão. Professores das três instituições participaram das discussões, trazendo diferentes olhares sobre formação docente, ensino religioso e diversidade no ambiente escolar.

Na abertura oficial, o coordenador do PPGCR da Unicap, professor Fabrício Cabral, destacou que a diversidade presente no próprio auditório já dizia muito sobre o sentido da jornada. Ali estavam pessoas de diferentes tradições religiosas, espiritualidades, expressões culturais, perspectivas acadêmicas e também visões não religiosas.

Para Fabrício, uma sociedade democrática se fortalece quando pessoas diferentes conseguem se encontrar, ouvir umas às outras e dialogar. A educação, nesse cenário, ganha um papel decisivo porque é na escola que crianças e jovens aprendem também a viver em um mundo onde nem todos pensam, acreditam ou enxergam a realidade da mesma maneira.

Ao falar especificamente sobre ensino religioso, Fabrício reforçou que sua função não deve ser transmitir uma crença. O caminho, segundo ele, passa pelo conhecimento, pela compreensão da diversidade e pelo reconhecimento do outro.

A arte abriu caminho para o diálogo

Antes das discussões acadêmicas, a jornada começou com uma apresentação que levou religião, memória e experiência pessoal para o palco.

O ator, diretor de teatro e mestrando em Ciências da Religião Quiercles Santana apresentou uma intervenção inspirada em Jurema Preta, as contas do meu rosário. Entre músicas e lembranças familiares, ele contou a história da mãe, criada em uma família católica e que depois passou a viver uma experiência religiosa ligada às tradições de matriz africana.

O relato colocou em cena algo que seria discutido durante todo o evento. É possível encontrar o outro sem abrir mão da própria identidade.

“Foi com a minha mãe que eu aprendi que a gente pode dialogar, que a gente pode tentar entender a visão do outro”, contou Quiercles.

A apresentação ajudou a mostrar que diálogo religioso não significa concordar com tudo. Significa reconhecer que a pessoa que acredita de outra maneira também tem uma história, uma experiência e o direito de viver sua fé com dignidade.

Escola pública e laicidade entram no centro da discussão

A programação da manhã teve como principal debate a conferência “Religião, escola pública e laicidade”. Participaram Gilbraz Aragão, da Unicap, Cléver Fernandes, da Universidade Federal do Maranhão, Larissa Owsiany, do Instituto de Estudos da Religião, Cíntia Sales, do Sintepe, e Helena Martins, promotora de Justiça e presidente da Associação do Ministério Público de Pernambuco.

Um ponto apareceu em praticamente todas as falas. Defender uma escola laica não significa expulsar a religião da escola.

Gilbraz Aragão recuperou parte da história do ensino religioso no Brasil e lembrou o processo que ajudou a aproximar esse componente das Ciências da Religião. Para ele, a escola pública não pode funcionar como uma extensão das igrejas, mas isso também não significa ignorar a importância que a religião possui na vida de milhões de pessoas.

Religiões, textos sagrados, ritos, tradições e espiritualidades podem estar presentes no ambiente escolar como objetos de conhecimento.

Ao falar da Bíblia, Gilbraz resumiu essa diferença ao dizer que ela pode estar na escola desde que seja estudada como objeto de conhecimento e colocada em diálogo com áreas como literatura, história e Ciências da Religião.

A diferença muda completamente a proposta. A escola deixa de dizer ao estudante no que ele deve acreditar e passa a ajudá-lo a compreender como diferentes grupos constroem suas crenças e interpretam a existência.

Intervalo bíblico provoca um dos debates mais fortes do encontro

Um dos assuntos que mais movimentaram a jornada foi a realização dos chamados intervalos bíblicos em escolas públicas de Pernambuco.

Cíntia Sales relatou que o Sintepe começou a receber, especialmente a partir de 2024, denúncias e questionamentos de professores sobre a forma como essas atividades passaram a ocorrer em algumas unidades.

Segundo ela, existe uma diferença importante entre alguns estudantes que espontaneamente se reúnem no intervalo para ler a Bíblia e uma atividade que passa a ocupar auditórios, salas de aula e estruturas da escola, ganha divulgação e começa a assumir um caráter institucional.

Para o sindicato, o problema aparece quando a manifestação religiosa deixa de ser uma escolha individual dos estudantes e se transforma em uma atividade de proselitismo dentro de um espaço público.

A discussão provocou outra pergunta importante. Se estudantes de uma determinada tradição religiosa podem utilizar a estrutura da escola para uma atividade de fé, como garantir exatamente o mesmo direito aos estudantes de outras religiões?

Foi a partir de questões como essa que os participantes discutiram a laicidade não como uma barreira à religião, mas como uma garantia para que nenhuma crença seja privilegiada pelo poder público.

Ministério Público defende neutralidade sem omissão

A promotora Helena Martins apresentou a experiência do Ministério Público de Pernambuco diante de conflitos relacionados a manifestações religiosas dentro das escolas.

Ela ressaltou que o Estado deve manter uma posição de neutralidade em relação às diferentes religiões, mas fez uma ressalva importante. Ser neutro não significa ficar parado diante de situações de discriminação.

Helena explicou que os episódios envolvendo atividades religiosas no ambiente escolar levaram à construção de uma nota técnica para orientar a atuação do Ministério Público. O documento estabelece parâmetros para questões como o uso dos espaços e equipamentos das escolas e a participação de pessoas que não fazem parte da comunidade escolar.

A promotora também chamou atenção para a situação de crianças e adolescentes ligados às religiões de matriz africana. Em alguns casos, segundo ela, esses estudantes chegam a esconder símbolos e elementos de suas tradições por medo de sofrer discriminação.

Esse tipo de situação mostra que garantir formalmente os mesmos direitos para todos nem sempre é suficiente. Alguns grupos entram na escola carregando uma história muito mais longa de preconceito e perseguição.

Homeschooling também entra no debate

A jornada abriu espaço ainda para um assunto que vem crescendo nas discussões sobre educação e religião. O homeschooling, conhecido no Brasil como educação domiciliar.

Larissa Owsiany apresentou parte das pesquisas desenvolvidas pelo Instituto de Estudos da Religião e mostrou que não existe uma única explicação para as famílias que optam por esse modelo.

Há grupos religiosos, mas também famílias que vivem em motorhomes e veleiros, famílias nômades e pessoas que questionam a escola tradicional por diferentes motivos.

Ao mesmo tempo, a pesquisadora destacou a presença cada vez maior de grupos cristãos organizados em torno da educação domiciliar e a força política que essa pauta vem adquirindo.

Larissa chamou atenção para uma mudança encontrada durante as pesquisas. Em determinados grupos, a expressão “educação domiciliar” passou a dividir espaço com a defesa da chamada “liberdade educacional”. Essa mudança aproxima o homeschooling de outras discussões sobre liberdade religiosa, participação das famílias e definição dos conteúdos trabalhados nas escolas.

O tema mostrou como religião, educação e política vêm se encontrando cada vez mais e como essas relações precisam ser pesquisadas antes de qualquer conclusão simplista.

Diferentes tradições ocupam a mesma roda

Na parte da tarde, a jornada mudou de formato e ampliou ainda mais a diversidade de vozes.

A roda “Intolerância religiosa, diversidade e direitos humanos” reuniu representantes de religiões de matriz africana, cristãos, professores, pesquisadores, integrantes do Ministério Público e representantes dos povos indígenas.

A mediação começou com Francisco Banto, que lembrou que religião não pode ser entendida apenas como fé. Ela também envolve cultura, identidade, ancestralidade, memória e território.

Francisco destacou ainda que uma roda de diálogo não poderia ser apenas um lugar para falar. Precisava ser um lugar para ouvir.

“Escutar o outro não significa necessariamente concordar com o pensamento do outro. Significa reconhecer que o outro também possui uma história, uma identidade, uma experiência e o direito de existir com dignidade”, afirmou.

A frase acabou atravessando boa parte da discussão que veio depois.

O que acontece de verdade dentro da sala de aula

Alguns dos momentos mais fortes da tarde aconteceram quando os professores começaram a contar experiências vividas nas escolas.

O professor Rodrigo Karaxuwanassu, da rede estadual de Pernambuco, lembrou que recebeu aulas de ensino religioso no início da carreira mesmo sem ter formação para trabalhar com o componente.

“Formação zero”, resumiu.

Rodrigo é formado em Geografia e contou que precisou procurar livros e materiais por conta própria para preparar as aulas. Foi nesse processo que começou a perceber a resistência de alguns estudantes quando o conteúdo chegava às religiões afro-brasileiras e indígenas.

A experiência fez com que ele aprofundasse seu trabalho com educação para as relações étnico-raciais. Na escola onde atua, em Apipucos, no Recife, foram criadas atividades permanentes durante o ano inteiro, sem restringir o debate aos meses tradicionalmente dedicados às culturas negra e indígena.

Rodrigo também passou a investir em visitas e aulas de campo. Segundo ele, o contato direto com realidades que os estudantes conheciam apenas por meio de discursos de terceiros consegue romper preconceitos.

“Quando eles conhecem de perto, eles mudam”, afirmou. Muitos alunos, segundo o professor, voltam dessas experiências reconhecendo que tinham uma visão completamente diferente daquelas tradições.

O relato mostrou uma das ideias que mais se repetiram durante a jornada. Muitas vezes o preconceito cresce justamente onde falta conhecimento.

Quem ensina religião nas escolas

A formação dos professores foi outro assunto que apareceu várias vezes ao longo do dia.

Robson Anselmo Tavares, professor técnico formador da Secretaria de Educação de Pernambuco, apresentou o trabalho de formação realizado com profissionais das Gerências Regionais de Educação.

Segundo ele, as atividades discutem diversidade religiosa, cultura digital, discurso de ódio, misoginia, preconceito e religiões afro-diaspóricas. Os técnicos formados nesses encontros levam posteriormente as discussões para professores das escolas estaduais.

Mesmo assim, Robson reconheceu que existe uma distância entre as orientações e aquilo que efetivamente acontece em algumas escolas.

Durante a discussão com o público, ele relatou situações em que professores se recusaram a trabalhar religiões de matriz africana. Também apareceu novamente um problema antigo. Em algumas unidades, o ensino religioso ainda acaba nas mãos de profissionais de outras áreas que precisam completar a carga horária.

Foi nesse ponto que ganhou força a defesa de uma formação específica em Ciências da Religião.

Ao final da roda, os participantes reforçaram que ensino religioso não é ensino de religião. A proposta discutida durante a jornada foi a de um componente capaz de trabalhar diversidade, espiritualidades, respeito, diferentes formas de produzir sentido e cultura de paz, sem catequese e sem proselitismo.

A licenciatura em Ciências da Religião foi apontada como o caminho de formação para o professor preparado para trabalhar com essa perspectiva.

O medo de assumir a própria religião

Os relatos sobre racismo religioso também deram uma dimensão mais concreta aos debates.

Rodrigo Carachuanaçu contou que estudantes ligados às religiões de matriz africana podem passar meses sem revelar sua pertença religiosa dentro da escola.

“Eles têm medo”, afirmou.

Segundo ele, alguns estudantes só começam a falar sobre a própria religião depois que percebem que existe dentro da escola um ambiente onde não serão imediatamente julgados.

O professor relatou inclusive que precisa se preparar quando sabe que uma aluna ou um aluno retornará à escola usando elementos ligados à iniciação religiosa, porque existe a possibilidade de comentários e constrangimentos.

A partir dessas experiências, participantes defenderam que determinados episódios não sejam tratados apenas como intolerância religiosa. Quando o preconceito atinge tradições afro-brasileiras e afro-indígenas, argumentaram, é necessário falar também em racismo religioso.

O diálogo também precisa acontecer fora da universidade

O promotor de Justiça Westei Conde levou para a roda a experiência do Fórum Diálogos da Diversidade Religiosa de Pernambuco.

Ele contou que a iniciativa surgiu depois de tentativas frustradas de responsabilizar autores de episódios de intolerância. A dificuldade de encontrar os responsáveis por algumas agressões levou a outra estratégia. Se era difícil identificar os intolerantes, seria possível aproximar as pessoas que estavam dispostas a dialogar.

Lideranças católicas, evangélicas, islâmicas, de religiões de matriz africana e de outras tradições começaram a se reunir. Depois, os encontros também passaram a acontecer nos espaços de culto das próprias comunidades.

Ninguém precisava abrir mão da própria fé. Também não era necessário concordar com o outro. O princípio era que aquele encontro não poderia ser usado para tentar converter quem pensava de maneira diferente.

A experiência foi apresentada como uma prova de que a convivência entre diferentes religiões pode acontecer na prática quando existe disposição para o diálogo.

Um pastor fala a partir de dentro do mundo evangélico

O pastor batista Manuel Araújo, professor da educação básica e mestrando em Ciências da Religião da Unicap, levou outra perspectiva para a discussão.

Manuel reconheceu que setores do próprio universo evangélico têm responsabilidade nas tensões religiosas discutidas durante a jornada. Ao mesmo tempo, fez questão de diferenciar esses segmentos fundamentalistas do conjunto das igrejas evangélicas.

Uma de suas observações chamou atenção para a força que a liderança religiosa pode exercer na formação de crianças e jovens.

Segundo Manuel, aquilo que um adolescente escuta do seu líder religioso no fim de semana pode ter muito mais peso para ele do que aquilo que será apresentado pelo professor quando voltar para a escola.

Esse cenário aumenta o desafio da educação. Nenhum estudante chega à sala de aula sem referências. Ele traz consigo o que escuta em casa, na igreja, no terreiro, nas redes sociais e na comunidade.

A escola não precisa apagar essas experiências. O desafio é oferecer conhecimento para que o estudante consiga colocar suas próprias convicções em diálogo com outras formas de enxergar a vida.

Conhecer pode mudar a relação com o diferente

A roda também trouxe experiências que mostraram resultados concretos desse trabalho.

Professores relataram projetos que apresentam aos estudantes a história das religiões, as culturas afro-brasileiras, as tradições indígenas e as diferentes influências que ajudaram a formar a sociedade brasileira.

Em uma das experiências contadas durante o encontro, depois de alguns anos de trabalho, aumentou o número de estudantes que passaram a se reconhecer como negros e também daqueles que assumiram sua ligação com religiões de matriz africana.

Houve mudanças até na relação de famílias evangélicas com manifestações culturais como as festas juninas. Depois que os próprios filhos passaram a explicar em casa as diferentes origens e influências dessas festas, algumas famílias que antes não permitiam a participação dos estudantes passaram a enxergá-las de outra maneira.

São experiências que não acabam com o preconceito de uma hora para outra, mas mostram o impacto que o conhecimento pode ter na forma como as pessoas enxergam aquilo que antes parecia estranho ou ameaçador.

Mosaico Religioso fecha a jornada e leva a pesquisa para fora da academia

O encerramento da III Jornada do Ensino Religioso teve um significado especial para os estudantes do PPGCR.

A programação terminou com o lançamento de Mosaico Religioso, volume 6, Entre a fé e o mundo contemporâneo, diálogos sobre religiões e espiritualidades.

A publicação reúne 15 artigos de 20 pesquisadores e nasceu de uma mobilização coletiva de estudantes ligados ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Unicap.

A doutoranda Cyntia Farias, uma das organizadoras da publicação, ao lado do jornalista e mestrando do PPGCR João Carvalho e do professor Dr. Newton Andrade Cabral, lembrou que a ideia nasceu de maneira espontânea durante uma viagem do grupo e foi crescendo até se transformar em um projeto coletivo.

“Esse livro foi uma construção coletiva”, resumiu Cyntia.

Ela comparou o processo de produção do livro a uma gestação, marcada por ansiedade, cansaço, noites sem dormir e muitos desafios até a chegada do resultado final. Para Cyntia, todo esse percurso ganhou outro significado quando os pesquisadores puderam finalmente receber a publicação pronta.

A doutoranda também destacou a diversidade dos temas reunidos no livro. Os trabalhos passam por religião e política, fundamentalismo, cultura, espiritualidades, música e diferentes formas de compreender o fenômeno religioso no mundo contemporâneo.

O lançamento também reforçou uma preocupação presente desde a construção da jornada. O conhecimento produzido dentro da universidade precisa encontrar caminhos para chegar à sociedade e dialogar com questões que estão presentes na vida cotidiana.

A III Jornada do Ensino Religioso terminou, assim, conectando dois movimentos que nasceram do envolvimento dos estudantes do PPGCR. De um lado, um encontro voltado ao diálogo entre universidade, escola, instituições públicas e diferentes tradições religiosas. Do outro, uma publicação que reúne pesquisas sobre temas que atravessam a sociedade contemporânea.

A iniciativa dos mestrandos e doutorandos, fortalecida pela parceria entre Unicap, Faculdade dos Palmares e UFMA, Campus Bacabal, mostrou que religião, educação, direitos humanos e diversidade não são assuntos distantes da vida cotidiana. Eles aparecem todos os dias nas escolas, nas famílias, nas igrejas, nos terreiros, nas universidades e nos espaços públicos.

O desafio colocado pela jornada não está em fazer todo mundo acreditar da mesma maneira. Está em aprender a compartilhar esses espaços com quem acredita de outro jeito, com quem segue outra tradição e também com quem não segue religião alguma. Tudo isso com conhecimento, liberdade e respeito.

 

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