Unicap recebe um dos maiores teóricos literários do país  - Unicap

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null Unicap recebe um dos maiores teóricos literários do país 

Publicado Por: Daniel França

A Escola de Educação e Humanidades da Unicap vai receber um dos maiores teóricos literários brasileiros da atualidade. O escritor e professor Luiz Costa Lima vai lançar o livro Chão da mente: a pergunta pela ficção (Ed. Unesp, 328 páginas) em uma live pelo Youtube da Universidade nesta sexta-feira (8), às 14h. Nos últimos 40 anos, o pesquisador escreveu 19 livros sobre teoria literária tendo abordado, entre outros aspectos, o conceito de mímesis.

O termo crítico filosófico se relaciona com a produção de sentidos no que se refere à imitação, representação, mímica. Em entrevista realizada por email, o jornalista da Assessoria de Comunicação da Unicap, Daniel França, conversou com o autor que foi aluno do jesuíta Paulo Meneses no Colégio Nóbrega e que teve como vizinho no bairro de Casa Forte e ‘mestre de vida’ o educador Paulo Freire. A entrevista com o professor emérito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e crítico literário gira em torno de temas que poderão ser abordados durante o evento. Leia a seguir.   

Pergunta - O senhor poderia descrever como foi o processo criativo de Chão da mente: a pergunta pela ficção? Houve algum ponto de partida ou algum aspecto relacionado a projetos anteriores?  

Resposta - O Chão da mente conclui um processo que se desenvolveu desde 1980, a começar com Mímesis e modernidade. Entre 1980 e 2020 - quando o processo foi concluído - foram escritos 19 livros. O ponto de partida de todos eles era a indagação do que se entendeu desde os gregos do séc. V a.C. por mímesis, estendendo-a para a questão da narrativa e terminando por se concentrar na questão da ficção. Rapidamente, observo: 19 livros, escritos durante 40 anos parece demasiado. Apenas chamo a atenção para um contraste: neste entretempo, a mímesis foi também objeto de vários livros no estrangeiro, sobretudo em inglês e em alemão. Observo, contudo, uma distinção: o usual é que se tenha escrito sobre a História do conceito, ao passo que procurei estabelecer a base de sua teorização. 

Pergunta - A teoria proposta pelo senhor considera a mímeses como elemento constituinte da ficção? Sendo assim, qual o papel da ficção na construção de realidades?  

Resposta - A mímesis é o constitutivo básico da ficção em prosa e em verso, mas não é exclusiva da ficção. Mais simplesmente se pode dizer: a mímesis está na base de todo processo criador, dela se abstém apenas a matemática.  

Na ficção, a mímesis provoca a quebra do que cada sociedade humana entende por realidade. Ao contrário, do que erradamente se repete, a mímesis ficcional não reitera o que é a realidade, mas dela parte, pelo polo da verossimilhança, para constituir o amplo espectro da diferença. Diferença de quê? Do que cada sociedade entende como parte de sua realidade. 

Pergunta - É possível estabelecer alguma ligação entre ficção e pós-verdade? 

A ideia de pós-verdade é uma das muitas aberrações criadas com o prefixo pós. A mímesis não tem nada a ver com o "pós", mesmo porque sua base consiste em ir além do que usualmente se entende por "verdade". 

As redes sociais aumentaram a participação popular no debate público, o que necessariamente não quer dizer que ele tenha se ampliado qualitativamente. Como o senhor analisa a influência das ‘Fake News’ nas formações discursivas presentes nas relações de dominação existentes nos tempos atuais, sobretudo aqui no Brasil?  

Apenas se começa a pensar seriamente no papel das redes mediáticas. É certo que por elas aumentou consideravelmente a participação popular no debate público. Mas esse aumento é proporcional ao crescimento das fake news. Prova evidente disso: é sabido que, para eleição de nosso atual governo, as redes sociais foram decisivas. Isso não significa optar por uma visão elitista mas sim sugerir pensar-se mais seriamente sobre a função da notícia não respaldada por um aparato reflexivo. 

O senhor aborda em Chão da Mente: a pergunta pela ficção o conceito de controle do imaginário. Esse mecanismo poderia ser a ponte entre a ficção e aquilo que se convém chamar de ‘verdade’? 

O critério de controle é, em princípio, estabelecido pelos participantes do poder temporalmente instalado. É certo, que tais detentores se consideram agentes da verdade, quando antes são apenas seus detentores. 

Pergunta - Teorias da Análise do Discurso, a partir de reflexões foucaultianas, têm eu seu lastro discussões a respeito do sujeito interpelado ou não pelas Formações Discursivas. Qual o papel da subjetividade, do ‘eu’ (self) na construção da sua teoria da ficção? 

Suas perguntas são muito boas. Lamento que não haja espaço para respondê-las com mais atenção. Foucault tem a ver com minha indagação, sem que ela seja derivada exclusivamente de Foucault. Qual o papel da subjetividade? Seu relacionamento é negativo pela maneira como se costuma  entender o papel do self. Na impossibilidade do caminho indispensável, apenas observo: a maneira como o self é entendido nas últimas décadas provoca o que chamo de sujeito performático, i.e., que se vê como centro orientador e originador do que se tem por verdade. Lamento não poder me estender. Parecerá uma provocação acrescentar: em lugar do sujeito performático é mais acertado pensar-se em um sujeito fragmentado, i. e., que reúne faces internamente disconformes - é o dono de casa, que parece muito honesto até chegar em sua banca de comércio; ou que salafrário, durante a semana, aos domingos, se mostra com um religioso fiel. 

Pergunta - O senhor faz uma dedicatória aos mestres Paulo Freire e Paulo Meneses. Qual a influência de cada um deles na sua trajetória acadêmica e pessoal? 

Resposta - Paulo Meneses SJ foi meu professor no segundo ano ginasial, no então Colégio Nóbrega. Desde então, aprendi com ele. Sua última lição me foi dada por sua tradução da Fenomenologia do espírito, de Hegel. Paulo Freire foi meu mestre de vida, desde a adolescência, quando éramos vizinhos, na Rua Rita de Souza, em Casa Forte. Depois de um ano na Europa, comecei a trabalhar, sob sua orientação, na SEC (Serviço de extensão cultural), quando eu era secretário da revista Estudos Universitários. O golpe de 64 interrompeu nosso convívio, nos prendeu e nos cassou igualmente. A ausência de ambos torna a vida mais solitária.


Foto da Capa: https://rascunho.com.br/noticias/luiz-costa-lima-analisa-obras-de-virginia-woolf-e-freud-em-novo-livro/

Foto Capa do Livro: http://editoraunesp.com.br/catalogo/9786557110478,o-chao-da-mente 

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