MISSA DE ABERTURA DO SEMESTRE ACADÊMICO 2021.2 - Unicap

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null MISSA DE ABERTURA DO SEMESTRE ACADÊMICO 2021.2

Publicado Por: Redação

MISSA DE ABERTURA DO SEMESTRE ACADÊMICO 2021.2

Ano inaciano – Festa de Santo Inácio

HOMILIA

1 Reis 19, 9-15

Salmo 15 (16), 1-2a. 5. 7-8.11

Mt 8, 18-27

Cara comunidade acadêmica,

Neste dia em que damos início a mais uma jornada comunitária da Unicap e ao semestre acadêmico 2021.2 a universidade se junta a Companhia de Jesus para fazer memória de 500 anos passados do evento que marcou o início do processo de conversão de Inácio de Loyola, seu mais ilustre fundador. Jovem cristão e de armas, forte e destemido, ele se lançou com todas as forças na batalha de Pamplona. Derrotado, com uma perna ferida e outra quebrada por uma bala de canhão, se inicia uma mudança fundamental na vida de Inácio. Após esses fatos, durante um período de convalescência onde ele encarrou a morte mais de uma vez, e em meio a uma profunda crise existencial, o jovem basco fez a experiência do discernimento espiritual que o levou a ver novas todas as coisas em Cristo e que o colocou completamente a serviço de Deus. O Deus de Inácio deixou de ser o Deus que o sustentaria na busca das glórias mundanas ou das vitórias nas batalhas, e passou a ser o Deus do amor e do serviço aos irmãos. Inácio passou do deus guerreiro ao Deus conselheiro, que o inspirava interiormente e o fortalecia diante das dificuldades, como cantamos no salmo 15. De um certo modo, a Santa Escritura e a vida de Inácio se encontram. Ao menos, assim parece indicar as leituras propostas no lecionário da Companhia para celebração de Santo Inácio.

Na passagem do primeiro livro dos Reis que hoje escutamos, o contexto era o seguinte: após o casamento de Acab (governante da porção norte de Israel de 874-853 a.C.) com princesa Jezabel “a sidoniana” (fenícia), o culto a Baal se espalha com força em Israel e uma grande seca se abate sobre a região. O culto a YAHVE se vê ameaçado pela idolatria e uma perseguição religiosa e política aos profetas de Deus se instala. Elias se levanta contra o culto a Baal (deus das tempestades e dos raios representado por um novilho forte e impetuoso). Depois vivenciar uma “batalha” religiosa contra os sacerdotes de Baal, ocasião em que o sacrifício-oferenda destes não é aceita e o de Elias é totalmente consumido pelo fogo que vem do céu, o povo é insuflado a matar todos os sacerdotes de Baal. Por fim, a chuva volta a molhar a terra. Elias parecia ter saído vitorioso desta batalha. Porém, Jezabel, furiosa, ordena a morte de Elias que acabou perseguido e exilado. Peregrinou no deserto, foi assistido por anjos que lhe davam pão a comer e água a beber, até que chegou no monte Horeb, completamente desolado pelo sofrimento. Nestas circunstâncias Elias pensa até em morrer! É em meio a uma profunda crise que ele descobre o verdadeiro rosto de Deus: não no trovão ou na tempestade, mas em meio a uma brisa suave. As disputas para demonstrar poder, os feitos extraordinários e a eliminação dos adversários parece muito distante da imagem de um Deus que faz chover para que a terra dê seus frutos, assiste as pessoas em meio a perseguição com pão e água e que se manifesta através de uma brisa suave. Em resumo: parece mais fácil confiar num deus belicoso, armado e destruidor, que num Deus amoroso, compassivo e generoso. Elias teve que passar por um longo processo de discernimento para compreender isso.

Deste modo, poderíamos até nos atrever a dizer que uma crise, que se configura na passagem de um sentimento de superpotência a um sentimento de fracasso, foi o que levou Inácio e Elias a reconfigurar as suas vidas.

De fato, a palavra crise, muito querida pelo Papa Francisco, que a retomou em vários discursos e homilias, parece bem adequada ao momento que atravessamos. O desequilíbrio ecológico provocado pelas ações humanas se faz sentir em todos os extremos do planeta; uma pandemia sem precedentes ameaça nossas vidas; a economia parece ruir e o desemprego e a fome se alastram; valores e modelos de vida em sociedade cultivados durante séculos são contestados e suplantados por uma nova conjuntura que emerge diante dos nossos olhos e atordoa a muitos; e as respostas de nossos governantes parecem não contribuir para reverter a situação em que nos encontramos. O que pensar e o que fazer diante neste momento “crítico”?

            Dentre muitas reações possíveis, parece que a paralisia provoca pelo medo é provavelmente a mais imediata, a mais “natural”, a mais humana. Esta foi a exatamente a reação dos discípulos de Jesus em meio a tempestade. É certo que toda a tempestade é passageira e, racionalmente, todos sabemos disso. Mas na hora do aperto... o desespero se instala. E nem mesmo a presença de Jesus parece ser suficiente para conter o pânico que tomou conta das pessoas que estavam dentro do barco atravessando um mar revolto. O que pode causar estranheza é que a voz de Jesus repreende não só a tempestade, mas também os discípulos. Ela torna explícita a falta de fé, fazendo apelo a necessidade de cultivá-la e exercitá-la nos momentos mais difíceis da vida. A fé evocada por Jesus não parece ser um sentimento interior, sem manifestação concreta. Não podemos separar fé, ação e discernimento. Elas não só interagem! Elas não existem de forma independente. Em meio a crise provocada pela tempestade talvez o que tenha faltado aos discípulos seria pegar baldes e tentar tirar a água que submergia o barco, ou ajudar a baixar as velas, remar com mais vigor... os discípulos necessitarão navegar muitas milhas para entender o que Jesus havia dito e feito.

Voltando o nosso olhar para a realidade de hoje, algumas palavras que o Papa Francisco dirigiu a cúria romana são bastante eloquentes: “se encontrarmos novamente a coragem e a humildade para dizer em voz alta que o tempo de crise é um tempo do Espírito, então, mesmo diante da experiência das trevas, da fraqueza, da fragilidade, das contradições, da desorientação, não nos sentiremos mais oprimidos, mas conservaremos constantemente a confiança íntima de que as coisas estão prestes a assumir uma nova forma” (discurso do Papa Francisco a cúria romana, 22 de dezembro 2020).

 Retomar a esperança, buscar uma ação positiva e discernida em meio a crise transforma o desespero em oportunidade. Elias e Inácio, em meio a uma crise, conseguiram reconfigurar a relação deles com Deus e transformar as suas atitudes. Talvez seja este o grande convite que nos faz este ano jubilar inaciano e o que nos sugere as leituras do dia de hoje. Se as crises são inevitáveis, as saídas criativas são uma exigência. Podemos nos atrever a sonhar com os pés no chão e afirmar que a universidade é um lugar privilegiado de enfretamento para crise que vivemos. O próprio da crise é o questionamento, o discernimento que, numa instituição como a Unicap, se faz em conjunto e constantemente.

           Finquemos, pois, nossas raízes na fecunda esperança que brota em meio a crise, busquemos juntos soluções discernidas, conduzidos pela brisa suave do Espírito, neste momento de travessia para outra margem!  

Creômenes Tenório Maciel, sj.

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