Publicado Por: Alessandro Douglas

As eleições municipais de 2020 representaram uma vitória para alguns grupos sub-representados na política brasileira, com candidaturas feministas, negras, indígenas e LGBT+ estando entre as mais votadas em diversos estados, e representando um aumento em relação a anos anteriores.

Desde 2016, o Brasil vinha surfando na grande onda do conservadorismo, que conquistou espaço em diversas potências mundiais, como os Estados Unidos, o que rendeu a vitória de Jair Bolsonaro para a presidência da república em 2018. No entanto, 2020 parece ter trazido uma reviravolta no cenário político nacional e internacional. Não bastasse a derrota de Donald Trump e a vitória de candidaturas LGBT+ nas eleições estadunidenses, o Brasil também abriu as portas para o progressismo nas eleições municipais.

Durante o primeiro turno deste ano, 651 mulheres foram eleitas prefeitas, e 9.196 vereadoras. Ambos os números mostram crescimentos em comparação às eleições de 2016, quando foram eleitas 638 prefeitas e 7.803 vereadoras, apesar de que apenas o número de vereadoras mostra um aumento expressivo, de cerca de 1.400 novas candidaturas eleitas.

As candidaturas negras eleitas também mostraram um aumento em relação aos últimos anos. Cerca de 1.7 mil prefeitos eleitos no domingo (15) se declaram pretos ou pardos, representando 32%  do total – um aumento em relação aos 29% de 2016. O número de vereadores também aumentou comparado a 2016, registrando 3.569 candidatos eleitos. No total, 40% dos candidatos negros foram eleitos a algum cargo municipal.

A comunidade LGBT+, por sua vez, bateu recordes de candidaturas, com cerca do dobro em relação a 2016, e obteve vitórias históricas em diversos estados. Segundo um levantamento feito pelo programa Voto com Orgulho, iniciativa da Aliança Nacional LGBT+, 48 candidatos da comunidade foram eleitos a algum cargo municipal em 2020 – e dentre esse número, ao menos 15 são transgêneros e travestis.

Outra comunidade sub-representada que também obteve vitórias na noite de eleições foram os indígenas. Após um crescimento de quase 90% nas candidaturas ao redor do país, 197 indígenas foram eleitos em 2020 – contra os 184 eleitos em 2016.

FALTA DE REPRESENTAÇÃO

No entanto, mesmo com todas as vitórias históricas, ainda não é o suficiente para acabar ou diminuir expressivamente a falta de representação dessas minorias sociais na política. A população brasileira é composta por 51% de mulheres e 52% de pretos e pardos. Ainda assim, apenas 12% das prefeituras definidas em 1º turno serão assumidas por mulheres, e  32% por negros – 3 a cada 10 prefeitos eleitos, segundo dados do TSE. Já no total de vereadores eleitos em todo país, apenas 6% se identificam negros, enquanto 53% se declaram brancos. Os candidatos com deficiência representam apenas 1% de todos os eleitos, e os candidatos indígenas possuem ainda menos do que isso.

 

TEXTO: Guilherme Anjos

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