Publicado Por: Alessandro Douglas

2020 foi um ano histórico para o cenário político LGBTQIAP+. As eleições municipais foram marcadas por números expressivos de candidaturas a favor da causa que conseguiram vencer a corrida eleitoral. No Brasil, foram 293 candidaturas LGBTQIAP+, com 80 delas eleitas. O ano também foi representativo para a comunidade Travesti e Transsexual, que conseguiu a marca recorde de 30 candidaturas eleitas, segunda a ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transsexuais).

Robeyoncé Lima, co-deputada do mandato coletivo Juntas (PSOL), é a primeira deputada trans de Pernambuco e uma das principais vozes da comunidade LGBTQIAP+ dentro da câmara estadual, comenta os resultados das últimas eleições “É meio que uma repaginada na política, é interessante que a gente tenha esse reconhecimento do eleitorado no sentido de dar um novo jeito na política tradicional. O eleitorado está exigindo um novo formato de política, sem aquele extremo conservadorismo que a gente observou em 2018”, explica.

Segundo a cientista política Rayana Burgos, 22 anos, “As candidaturas eleitas com um potencial de irem aos poucos desmistificando o que é ser LGBT e mostrar que a orientação sexual ou a identidade de gênero são características que acompanham uma pessoa, mas que não define caráter nem seu profissionalismo”.

A cientista ainda comenta que agora, por mais difícil que seja, é importante que haja a diversidade de vozes dentro do cenário político atual “Representar minorias nunca é fácil, principalmente dentro de um contexto conservador. Estar representando uma pauta de minorias dentro de Municípios enquanto o governo federal representa outro público coloca em conflito o debate local com o Nacional”.

Para Antônio Lucena, professor de Ciências Políticas da Universidade Católica de Pernambuco “É importante ter a representatividade dentro da política porque isso é um movimento que termina gerando a democratização do debate público. Então, é de extrema relevância para que a causa tenha mais holofotes para população em geral, inclusive isso pode atrair mais votos nas próximas eleições”.

Movimentos sociais também exercem um papel fundamental na luta pelas conquistas dos direitos das minorias, como explica o militante Marcone Costa, da ONG pró LGBTQIAP+, Leões do Norte, “O papel do movimento é o controle social e o empoderamento da população sobre seus direitos e deveres. Esse processo de ocupação da política não iniciou agora, é uma onda crescente do olhar do movimento social que fez os partidos políticos reconhecerem seus compromissos com nossas pautas e agendas”.

Ainda assim, pela via legislativa, a conquista de direitos é difícil, afirma o professor do curso de Direito da Universidade Católica, Gustavo Ferreira, “Principalmente porque bancadas legislativas religiosas fundamentalistas fazem acordos com bancadas que representam outros grupos de interesses e bloqueiam qualquer pauta que avance no reconhecimento de direitos de LGBTI”, explica.

Diversidade de vozes dentro dos espaços sociais é a chave para o pleno funcionamento de um estado democrático. Por mais que os avanços para os LGBTQIAP+ no Brasil ocorram de forma tímida, os resultados das últimas eleições mostram que os eleitores estão ficando mais atentos com as novas vozes que surgem na política.

Reportagem especial produzida na disciplina de Jornalismo e Direitos Humanos da Universidade Católica de Pernambuco.

Maria Eduarda Melo - @melo_duda

Maria Eugênia Araújo - @mareuaraujo

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